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A decisão da edição 101 da Copa América, na tarde deste primeiro domingo (7) de julho, no Maracanã, está envolta em clima tenso, que aumentou com a recusa do capitão argentino Messi de receber a medalha do terceiro lugar, após ter sido expulso ainda no primeiro tempo da vitória (2 x 1) sobre o Chile, e de dizer que não quer participar da corrupção do Brasil e da Conmebol, alvos também das acusações da imprensa peruana “por estarem fazendo jogo feio”.

LÍBERO – Sempre atuante no trabalho de pesquisa, que valoriza a qualidade das nossas publicações, Marcelo Santos leu com atenção a matéria do tabloide peruano Líbero, com catorze páginas de sua edição especial sobre a grande decisão. E destaca a insatisfação da seleção peruana com os organizadores da Copa América, que a obrigou à repentina mudança do local de treinamento. Contra tudo: Conmebol e Brasil jogam feio. Além de um árbitro “fuleiro”, a seleção peruana teve dificuldade para treinar, mas não se abateu. O Peru está pronto e preparado para encarar tudo nessa decisão” – ressalta a matéria do Líbero.

REPERCUSSÃO -Além dos argentinos Clarin, Olé e El País, todos osjornais da América do Sul e da Europa abrem espaço para a declaração contundente de Messi, que se recusou a receber a medalha de bronze do terceiro lugar, após a vitória sobre o Chile, em que foi expulso antes do final do primeiro tempo. Na Espanha, MarcaeMundo Deportivo consideram que “a denúncia de Messi sobre corrupção, envolvendo Brasil e Conmebol, deve ser aprofundada para o bem do futebol sadio”.

MAIS QUEIXAS – Os dirigentes e a comissão técnica da seleção peruana também revelaram que “os brasileiros infiltraram observadores nos treinos de sua seleção, embora o próprio técnico da seleção brasileira tenha procurado negar”. No entendimento dos peruanos, “isso vai criar um clima de mais animosidade no jogo final em que a Copa América se vê muito comprometida em sua lisura”. O técnico argentino Ricardo Gareca tem procurado manter os jogadores alheios aos problemas.

AS CAMPANHAS – O Brasil entra com acentuado favoritismo, por ter o ataque mais positivo (10) e a única defesa que não sofreu gol, além da maior goleada (5 x 0), aplicada precisamente sobre o Peru, na fase de grupos. O Peru teve começo ruim, mas a vitória (3 x 0) sobre o Chile, atual bicampeão, devolveu a confiança à seleção, assim como ao atacante Guerrero, maior goleador em atividade na Copa América. O técnico Ricardo Gareca é o sexto argentino em seis finais consecutivas nos últimos 15 anos.

MISTÉRIO – Não antecipar a escalação também faz parte do mistério que cerca uma grande decisão, embora se saiba que o Brasil manterá Alex Sandro na lateral-esquerda, pelo pouco tempo para a recuperação de Filipe Luis. E ainda que o técnico não tenha anunciado, a seleção não pode ser diferente da escalação do jogo com a Argentina: Alisson, Daniel Alves, Marquinhos, Tiago Silva e Alex Sandro; Casemiro, Arthur e Philippe Coutinho; Gabriel Jesus, Firmino e Everton. 

PERUANOS – A tendência de Ricardo Gareca, técnico experiente de 61 anos, é pela manutenção da equipe que ganhou bem do Chile. O goleiro Pedro Gallese, com três defesas extraordinárias em pênaltis, intensificou o treinamento e revelou correção em relação ao jogo em que o Brasil fez 5 x 0 no Peru, por conta de erro de marcação e de posicionamento. Guerrero, que conhece bem o futebol brasileiro, resume: “Todos terão uma surpresa. Nossa seleção na decisão será diferente da que foi goleada na estreia”.

PRESIDENTE – A ideia da entrada em campo do presidente da República é vista por diversos ângulos. Há os que se detêm na jogada de marketing; os que preferem ver como um estímulo ainda maior para os jogadores e os que admitem que a presença da figura mais importante do país só pode exercer um astral muito positivo. A notícia de que o presidente da República entrará com a seleção não foi confirmada pelo Planalto nem pelos organizadores do evento.

OS TÍTULOS – O Peru está completando 32 participações e só ganhou duas vezes a Copa América, em 1939 e em 1975, enquanto o Brasil é o terceiro maior vencendor com 8 títulos em 36 participações, ainda bem abaixo do Uruguai, 15 vezes campeão em 44 participações, e da Argentina, 14 vezes campeã em 42 participações.

PREMIAÇÃO – Com o terceiro lugar ao vencer o Chile, a Argentina teve premiação de quatro milhões de dólares. O campeão receberá 7.500 mil e o vice-campeão, 5 milhões de dólares. Depois de seus dois únicos títulos consecutivos, em 2015 e 2016, o Chile teve queda acentuada ao terminar 2019 em quarto lugar. A Argentina, que havia sido duas vezes seguidas vice-campeã, perdendo as finais nos pênaltis, também desceu uma posição ao terminar em terceiro. Argentina e Chile voltarão a se encontrar em amistoso na Califórnia, dia 5 de setembro, no Coliseu de Los Angeles.

Na tarde deste sábado (6), na Arena Corinthians, Argentina 2 x 1 Chile foi o jogo 90 no confronto das seleções, com os argentinos ampliando a vantagem: 60 vitórias. Houve mais empates (24) do que vitórias do Chile (6). O último jogo da Copa América na capital paulista registrou R$7.180.385,00, com 41.573 pagantes.

PIOR ARBITRAGEM – O paraguaio Mario Alberto Diaz de Vivar fez a pior arbitragem da Copa América. Nenhum outro se deixou envolver tanto pelos jogadores, que o cercavam por tudo e por nada. Aplicou seis cartões amarelos – Pulgar, Vidal e Beausejour, do Chile, e Paredes, Tagliafico e Lo Celso, pela falta em Aránguiz, no pênalti, e também no auxiliar-técnico argentino Walter Samuel. Precipitou-se nas expulsões de Messi e Medel. Não se mostrou pronto para um clássico que valia a terceira posição.

18 DE AGOSTO DE 2005 – Foi o dia em que Messi recebeu o primeiro cartão vermelho, ao estrear aos 18 anos com a camisa 18, lançado pelo técnico José Pekerman, aos 19 minutos do segundo tempo, no amistoso com a Hungria, no estádio Ferenc Puskas, na capital Budapeste. Messi ficou só 43 segundos em campo. Foi expulso por atingir com o braço o rosto do zagueiro Vilmos Vanczák, que só recebeu cartão amarelo. Argentina 2 x 1, gols de Maxi Rodriguez e Gabriel Heinze. Messi havia substituído o meia Lisandro Lopez.  Em 687 jogos pelo Barcelona, nunca foi expulso. Em 136 pela seleção, sua segunda expulsão.

Foto: Alexandre Schneider/Getty Images