A decisão que Brasil e Peru disputarão neste primeiro domingo (7) de julho, no Maracanã, será a sexta consecutiva da Copa América com a participação de técnicos argentinos, campeões nas duas últimas, mas derrotados nas duas finais com o Brasil, nos últimos quinze anos em que o Brasil só ganhou duas decisões e com técnicos diferentes.

2004 – Marcelo “Loco” Bielsa, aos 49 anos, era o técnico da seleção argentina, que perdeu (4 x 2 nos pênaltis) a final com o Brasil, do técnico Parreira. Foi a quinta final do Brasil, campeão das duas edições anteriores, e a segunda final da Argentina, na primeira decisão em Lima, capital do Peru, com  0 x 0 nos 90 minutos. Os pênaltis do Brasil foram convertidos por Adriano, Edu, Diego e Juan; só o lateral Juan Pablo Sorin e o meia Kily Gonzalez aproveitaram as cobranças argentinas. Marcelo Bielsa, então aos 49 anos, ex-zagueiro, substituiu outro ex-zagueiro, Daniel Passarella, que ficou quatro anos no comando da seleção.

2007 – Alfio Basile, aos 61 anos, era o técnico da Argentina, que perdeu (3 x 0) a decisão para o Brasil, do técnico Dunga, em Maracaibo, na Venezuela, até então o único país do continente que não havia sediado a Copa América. O Brasil já saiu para o intervalo com 2 x 0, gols de Julio Batista e Ayala (contra), e no segundo tempo Daniel Alves fez o terceiro. Alfio Basile foi zagueiro campeão da Libertadores e do Mundial de clubes de 1967 com o Racing, e havia ganho a Copa América de 91 e 93 com a seleção argentina. Foi a última Copa América que o Brasil ganhou, antes da decisão deste domingo (7) com o Peru no Maracanã.

2011 – Gerardo “Tata” Martino, aos 49 anos, foi o terceiro técnico argentino vice-campeão consecutivo da Copa América, ao perder (3 x 0) com a seleção do Paraguai a final com o Uruguai, em seu  último título, no Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. O Paraguai foi à final sem vencer sequer um jogo, e desde 2001 Brasil e Argentina ficaram fora da decisão. Gerardo “Tata” Martino foi meia, e como técnico já havia sido campeão paraguaio três vezes com o Libertad e uma vez com o Cerro Porteño, e dois anos depois ganharia a Supercopa da Espanha com o Barcelona, em 2013. Assumiu a seleção paraguaia em 2007 e a levou em 2010 às quartas de final da primeira Copa do Mundo na África.

2015 – Jorge Sampaoli, aos 55 anos, foi o primeiro dos últimos técnicos argentinos finalistas a ganhar a Copa América, mas no comando da seleção do Chile, pela primeira vez campeã, jogando em casa. Mas, se não fosse o hoje técnico do Santos, outro argentino ganharia o título porque Gerardo “Tata” Martino era o técnico da seleção argentina. 0 x 0 e o Chile venceu (4 x 1) nos pênaltis. Sampaoli foi lateral-direito de carreira curta, devido à fratura dupla – tíbia e fíbula – que sofreu aos 19 anos. Depois de passagens bem-sucedidas por alguns times médios, comandou a seleção chilena de 2012 a 2016, e está no Santos desde 2018.

2016 – Juan Antonio Pizzi, argentino de 48 anos, foi o técnico do Chile, campeão da edição especial da Copa América 100 anos, e do outro lado estava de novo Gerardo “Tata” Martino, com a vocação do vice, dirigindo a Argentina. Outro 0 x 0 e o Chile bicampeão nos pênaltis (4 x 2), em jogo com 83 mil pagantes no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e arbitragem do brasileiro Heber Roberto Lopes. Pizzi é de Santa Fé, mas se naturalizou espanhol e foi bom meia-atacante, campeão em 97-98 no Barcelona e da Taça de Portugal em 2000-01 no FC Porto. Jogou na seleção da Espanha de 94 a 98 e hoje é técnico do San Lorenzo de Almagro.

2019 – Ricardo Gareca, aos 61 anos, pode ser o técnico argentino a ganhar pela terceira vez consecutiva a Copa América, embora suas chances com o Peru, na decisão de amanhã (7) com o Brasil, no Maracanã, sejam bem mais reduzidas. Ele assumiu a seleção em março de 2015 e no mesmo ano levou o Peru ao terceiro lugar. Com certeza, será herói nacional se conseguir um título que o Peru não conquista há 44 anos, depois da final de 1975 em que venceu (1 x 0, gol de Hugo Sotil) a Colômbia, no Estádio Olímpico de Caracas. Ricardo Gareca foi atacante, campeão argentino e da Supercopa Libertadores de 94 com o Independiente, e bicampeão colombiano 85-86 com o América de Cali. Foi o sexto técnico argentino do Palmeiras, que só dirigiu em 13 jogos, de junho a agosto de 2014, demitido como o segundo pior do clube no século 21.

Foto: ESPN