O BRASIL FAZ HOJE (27), com a Tunísia, no Parque dos Príncipes, em Paris, o último amistoso antes da estreia na Copa, dia 24 de novembro com a Sérvia. Há 49 anos, então repórter de rádio, cobri o único jogo das duas seleções, também amistoso, em que o Brasil goleou (4 x 1), em 16 de junho de 1973, no Estádio Olímpico de Túnis.

TUNÍSIA 1 x 4 BRASIL foi o segundo dos nove amistosos da excursão iniciada na África, depois de 2 x 0, Paulo Cezar e Rivellino, na Argélia, no Estádio Olímpico Cinco de Julho, em Argel, no primeiro jogo do Brasil em gramado artificial. O goleiro Renato usou macacão, com receio de sofrer corte nas pernas. 

O TÉCNICO TITE decidiu pela volta de Danilo, da Juventus, à lateral-direita, depois de improvisar Militão, e a troca de goleiro: sai o titular Alisson, entra Weverton, 2º reserva, e Marquinhos, Thiago Silva e Alex Teles são mantidos. Fred entra e compõe o meio com Casemiro, Paquetá e Raphinha, que fará a função de Vinicius Junior.

MEIA NO AMISTOSO dos 3 x 0 na seleção de Gana, Neymar estará mais à frente, em dupla com Richarlison, que já ganhou status de titular absoluto. Tite pode até escalar Pedro no decorrer do amistoso de hoje (27), mas deixou claro que o atacante é certo na Copa, ao reafirmar que já sabe bem o que ele é capaz de render.

A TUNÍSIA não é parâmetro, apenas serve para preencher a última data Fifa, ainda que primeira no ranking, entre as africanas (31º lugar). A maioria de seus jogadores atua no próprio país; o meia Aissa Laidouni, de 25 anos, do húngaro Ferencvaros, e o zagueiro Talbi, de 24 anos, do francês Lorient, são os mais bem cotados.

AO AUMENTAR de 35 para 55 os pré-selecionados, relação a ser apresentada até 21 de outubro, mas que não será divulgada, a Fifa estendeu também, de 23 para 26, a lista da inscrição final, a ser feita até 14 de novembro, seis dias antes da abertura da Copa. Só com uma obrigação: dos 26, três goleiros. 

A SELEÇÃO DO 1º jogo com a Tunísia, na 4ª feira, 6 de junho de 1973, em Túnis: Wendell, Zé Maria, Luis Pereira, Piazza e Marco Antônio; Clodoaldo, Rivellino e Paulo Cezar; Valdomiro, Leivinha e Edu. Foi o 1º dos 9 jogos em que Zagallo iniciou a preparação para a Copa do Mundo de 1974 na Alemanha. A primeira sem Pelé.

APÓS DUAS VITÓRIAS NA ÁFRICA, sete jogos na Europa: 0 x 2 com a Itália, gols de Gigi Riva e do futuro técnico Fabio Capello; 1 x 1 com a Áustria, Jairzinho; 1 x 0 na Alemanha, Dirceu; 1 x 0 na então União Soviética (hoje Rússia), Jairzinho; 0 x 1 Suécia; 1 x 0 na Escócia (gol contra), e 4 x 3 na Irlanda, Paulo Cezar (2), Jairzinho e Valdomiro.

MARCELO SANTOS, que seleciona as fotos e publica as matérias, gosta de historinhas. Recordo algumas da viagem: o gramado na Argélia era de tartan. Zagallo não guardou bem o nome e disse que era de dartagnan… No hotel em Berlim, Luis Orlando pediu travesseiro com penas de cisne… Em Viena, Marinho Chagas viu a lua bonita e perguntou se era a mesma que se via no Brasil… 

WALDIR AMARAL teve que comprar um gravador para que eu fizesse as entrevistas: o motorista do táxi furtou o que eu havia levado ao treino em Moscou… O zagueiro Chiquinho só era chamado de pastor pelos companheiros: estava sempre lendo a Bíblia. O estádio de Rasunda, na Suécia, não tinha árvores em volta, ao contrário do que gostava de dizer o narrador Oduvaldo Cozzi, enfeitando suas transmissões.

FOTÓGRAFO paulista registrou os palmeirenses Luis Pereira e Leivinha, ao lado de louras de biquíni, passeando de barco no verão sueco. Quando ligaram para as mulheres, em São Paulo, levaram um aperto. Daí nasceu a ideia do manifesto de Glasgow, que Claudio Coutinho redigiu e os jogadores assinaram, recusando-se a dar entrevistas até o final da viagem.

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