Não quis acreditar no que ouvi do assistente direto do técnico da seleção brasileira na véspera do jogo da noite de ontem (18),  em Salvador: “Temos que nos preocupar porque a Venezuela evoluiu muito”. Tento, mas não consigo encontrar esse fundo de verdade. E não vejo outra saída, se não a de entrar no túnel do tempo.Copa América 2019 – 18 de junho, Arena Fonte Nova  – Brasil 0 x 0 Venezuela.Copa América 1999 – 30 de junho, Estádio 3 de Fevereiro, no Paraguai – Brasil 7 x 0 Venezuela.Que evolução teve a Venezuela nesses 20 anos? Que progresso teve o Brasil nesse intervalo? A Venezuela continua figurante, sem conseguir ganhar nada. O Brasil também não evoluiu e parece mais perto de completar a quinta Copa sem título do que voltar a ser campeão. É a dura realidade de um futebol que não apresenta renovação, de técnico e de valores.

GRANDE MENTIRA – Criou-se no futebol a expressão “tempo de bola”, que é uma das mentiras, entre tantas outras que inventaram. No 0 x 0 da noite de ontem (18), em Salvador, o Brasil chegou perto de 80% de posse de bola, com domínio amplo do jogo, mas sem a competência para sair da marcação de uma seleção limitada, que se fechou bem e só saiu em contra-ataques, ainda assim sem exigir sequer uma escassa defesa do goleiro brasileiro.

AS MUDANÇAS – Richarlison e Neres foram inúteis e o técnico demorou a tirá-los de campo. Gabriel Jesus entrou no intervalo e pouco apresentou. Everton substituiu Neres aos 27 do segundo tempo, com menos minutos do que merecia para produzir mais. A troca de Casemiro por Fernandinho foi a de seis por meia dúzia, sem acrescentar nada ao rendimento da equipe, em que Arthur foi o único a tentar criar no meio-campo, confirmando seu nível técnico diferenciado.

OS GOLS ANULADOS – Antes dos dois gols bem anulados pelo árbitro de video, houve o de Firmino – outra figura apagada -, aos 38 do primeiro tempo, por falta clara no zagueiro Villanueva. O primeiro gol que o VAR não confirmou, aos 13 do segundo tempo,  marcado por Gabriel Jesus, foi por impedimento claro de Firmino, que deu a assistência. O segundo, que Philippe Coutinho marcou aos 41, foi por outro impedimento de Firmino na pequena área. Sem margem para qualquer discussão.

MAIS NOVE MINUTOS –Foi o tempo de que a seleção brasileira dispôs para ganhar o jogo, mas não teve a competência suficiente. A seleção não cumpre dois dos fundamentos básicos do futebol: acerto nos passes e chutes de meia distância. É insistente no jogo lateral e nos cruzamentos, quase sempre desfeitos pelos zagueiros. Uma estreia bem discreta nos 3 x 0 sobre outra seleção indefesa como é a da Bolívia, e agora vem aí a decisão com o Peru, sem garantia alguma de que o Brasil será primeiro do grupo.

BRASIL – Alisson, Daniel Alves, Marquinhos, Tiago Silva e Filipe Luis; Casemiro (Fernandinho, 12 do segundo tempo), Arthur e Philippe Coutinho; Richarlison (Gabriel Jesus, intervalo), Firmino e Neres (Everton, 27 do segundo tempo).Técnico – Tite. 

VENEZUELA – Fariñez, Rosales, Osorio, Villanueva e Ronald Hernandez; Machis (Figuera, 31 do segundo tempo), Rincon e Herrera (Soteldo, 21 do segundo tempo); Murillo, Moreno e Rondon (Martinez, 40 do segundo tempo). Técnico –Rafael Dudamel. A Venezuela, depois de 0 x 0 com Peru e Brasil, tentará o primeiro gol no jogo de sábado com a Bolívia, que sofreu seis gols e só marcou um. No Mineirão.

TRÊS CARTÕES – O árbitro Julio Alberto Bascuñan, de 41 anos, da Federação Chilena, cumpriu atuação segura, impondo sua autoridade e intolerante com as reclamações. Advertiu no primeiro tempo com cartão amarelo, o atacante Murillo, que pisou no pé de Tiago Silva, aos 36, e o apoiador Casemiro, aos 40, por entrar de sola no zagueiro Osório. O único amarelo do segundo tempo foi nos acréscimos para Murillo, aos 46, por falta em Fernandinho. O segundo tempo teve 9 minutos de acréscimos.BRASIL 0 x 0 VENEZUELA, na Arena Fonte Nova, em Salvador, com R$8.734.480,00. 39.622 pagantes. O público fez o que se esperava no fim do jogo: vaiou a seleção brasileira. 

Foto: Chris Brunskill/Fantasista/Getty Images