Elkeson tornou-se nesta terça, 10 de setembro de 2019, o primeiro brasileiro a disputar eliminatórias da Copa do Mundo pela seleção da China, um mês depois de se naturalizar, e sua estreia não poderia ter sido melhor: marcou os dois últimos gols dos 5 x 0 sobre a seleção das Maldivas, diante de 12 mil torcedores, lotação máxima do Rasmee Dhandu, estádio de Malé, capital de 145 mil habitantes.Elkeson marcou os dois gols no segundo tempo, de pênalti aos 37, e aos 46. Além da seleção das Maldivas, fazem parte do Grupo A das eliminatórias da Ásia as seleções das Filipinas e da Síria. Maldivas é um país insular no sudoeste da India, com 1.200 ilhas, embora só 203 sejam habitadas. A capital Malé tem 160 mil habitantes.

IDADE ADULTERADA – Nascido em 13 de julho de 1989, em Coelho Neto, município do leste do Maranhão, a 385 km da capital São Luis, Elkeson de Oliveira Cardoso morou até os 10 anos em Marabá, sudoeste do Pará, e aos 14 foi para Salvador. Tornou-se profissional no Vitória – campeão baiano e da Copa do Nordeste -, marcando 18 gols em 99 jogos, de 2009 a 2011.

DO VITÓRIA AO BENFICA – Elkeson teve 50% dos direitos vendidos ao Benfica, que antes havia comprado o zagueiro David Luiz, do Vitória – 55 jogos, 2 gols, de 2005 a 2007 – e depois de 132 jogos e 6 gols, de 2007 a 2011, ganhou quase dez vezes mais com a venda para o Chelsea. Os documentos de Elkeson foram adulterados por seu agente, Giuliano Bertolucci, para que parecesse ainda mais novo.

DO BENFICA AO BOTAFOGO – Sem se sair bem no Benfica, Elkeson voltou ao Brasil e foi vendido pelo Vitória ao Botafogo, em maio de 2011, por cinco milhões de reais, mais o zagueiro Rodrigo Mancha. Elkeson fez contrato de quatro anos com o Botafogo, que ficou com 100% de seus direitos, antes divididos entre o Vitória e o Benfica. No Botafogo, marcou três gols nos cinco primeiros jogos, e com a saída de Loco Abreu, em 2012, foi o artilheiro do time com 11 gols em 31 jogos, 23 como titular.

DO BOTAFOGO À CHINA – Em novembro de 2012, o Botafogo vendeu Elkeson ao Guangzhou Evergrande por seis milhões de euros – 17 milhões de reais -, mas dias depois a transação foi cancelada porque o Botafogo não aceitou as condições de pagamento. Após um mês, a negociação foi retomada e o Botafogo ficou com 35% da venda.

Elkeson estreou no campeonato chinês em 8 de março de 2013, com dois gols nos 5 x 1 no Shang Shenxin, e na rodada seguinte fez os três dos 3 x 0 no Jiang Sainty. No mês seguinte, seu segundo hat-trick, nos 6 x 1 no Changchun Yatai, dia 20 de abril. 

CAMPEÃO E ARTILHEIRO – Elkeson alcançou a maior média do campeonato chinês, com 24 gols em 28 jogos, e no primeiro título de campeão da Ásia, em 2013, bateu o recorde no futebol chinês, com 30 gols em 35 jogos. Em 2014, artilheiro pelo segundo ano seguido, conseguiu outro recorde, com 28 gols em 28 jogos.

TRÊS VEZES MAIS CARO – Depois de dois anos consecutivos de muito sucesso, Elkeson saiu para o Shanghai SIPG, que pagou ao Guangzhou Evergrande 19 milhões de euros – 84 milhões de reais -, a transferência mais cara da história do futebol da China.

Elkeson só foi uma vez convocado para a seleção brasileira, em 2011, mas não saiu do banco de reservas no Superclássico das Américas com a Argentina, ganho (2 x 0) pelo Brasil.

MESTRE ITALIANO – Depois da estreia deste 10 de setembro de 2019 com o uniforme todo branco da seleção da China, Elkeson – que agora se chama Ai Kesen, em mandarim, nome dado a uma das variações da lingua chinesa – é só elogios a Marcelo Lippi, técnico italiano de 71 anos, campeão do mundo em 2006, que assumiu a seleção da China há um mês.
Lippi foi zagueiro de 69 a 82, cinco vezes campeão pela Juventus de Turim, e dirigiu Elkeson no Guangzhou Evergrande. Ao técnico, o atacante se refere com muitos elogios: “Inteligente, educado e prático nas instruções. Não aumenta nunca o tom de voz e sabe orientar da maneira mais objetiva”.BOM DIZER – O maranhense Elkeson é o segundo estrangeiro a se naturalizar chinês para jogar na seleção. O primeiro foi Nico Yennaris, zagueiro e volante de 26 anos, nascido em Londres e que fez toda sua carreira, desde os nove anos, no Arsenal FC. Ele joga no Beijing Guoan, da capital chinesa, desde janeiro de 2019. 


Lippi foi zagueiro de 69 a 82, cinco vezes campeão pela Juventus de Turim, e dirigiu Elkeson no Guangzhou Evergrande. Ao técnico, o atacante se refere com muitos elogios: “Inteligente, educado e prático nas instruções. Não aumenta nunca o tom de voz e sabe orientar da maneira mais objetiva”.

BOM DIZER – O maranhense Elkeson é o segundo estrangeiro a se naturalizar chinês para jogar na seleção. O primeiro foi Nico Yennaris, zagueiro e volante de 26 anos, nascido em Londres e que fez toda sua carreira, desde os nove anos, no Arsenal FC. Ele joga no Beijing Guoan, da capital chinesa, desde janeiro de 2019. 

ÚNICA COPA – Fora das quatro últimas Copas, a China está tentando voltar em 2022 no Catar e conta com a naturalização de outro brasileiro, o atacante Ricardo Goulartex-Cruzeiro, que joga no Guangzhou Evergrande. Ele já aceitou renunciar à cidadania, condição imposta para que seja concedida a nacionalidade.

A única Copa do Mundo de que os chineses participaram foi a de 2002, a primeira realizada na Ásia e em dois países – Japão e Coreia do Sul -, e eles não escondem que passaram vergonha, ao serem eliminados na primeira fase e sem marcar nenhum gol: 0 x 2 com a Costa Rica, 0 x 4 com o Brasil e 0 x 3 com a Turquia. O técnico da seleção chinesa era o sérvio Bora Milutinovic, hoje aos 75 anos, que dirigiu cinco seleções diferentes em cinco Copas consecutivas: 1986 – México, 1990 – Costa Rica, 1994 – Estados Unidos, 1998 – Nigéria e 2002 – China.

Foto: Reprodução/sina.com