Inglaterra e Dinamarca decidem nesta quarta (7) quem fará a final da Eurocopa com a Itália, que nesta terça (6) eliminou a Espanha por 4 x 2 nos pênaltis, com a última cobrança convertida pelo meia catarinense Jorginho, de 29 anos, que saiu do Brasil aos 16 anos, fez sua formação na base do Verona, jogou no Napoli e desde 2018 é do Chelsea FC, de Londres. O lateral-direito mato-grossense Toloi e o lateral-esquerdo santista Emerson também participaram da vitória italiana.

52 ANOS DEPOIS – Campeã pela única vez em 1968, ao vencer a Iugoslávia na decisão, na época em dois jogos (1 x 1 e 2 x 0), a Itália disputará final inédita com a Dinamarca, também campeã só uma vez, em 1992, quando venceu a Alemanha por 2 x 0, ou com a Inglaterra, eliminada nas semifinais de 1968 pela Iugoslávia (1 x 0) e de 1996 pela Alemanha (1 x 1 e 6 x 5 nos pênaltis). A maioria dos observadores europeus acredita que a Inglaterra será finalista pela primeira vez.

EQUILÍBRIO – Itália x Espanha caracterizou-se pelo equiíbrio, com as defesas se sobrepondo, embora na prorrogação, após 1 x 1 nos 90 minutos, os espanhóis tenham mostrado mais condicionamento físico e atacado mais. O rendimento das seleções melhorou na volta do intervalo, após muita cautela no primeiro tempo. Chiesa fez o belo gol da Itália aos 15, e depois que Oyarzabal falhou em cabeçada na pequena área, Morata empatou aos 35 minutos.

NOVE PÊNALTIS – O goleiro espanhol Unai Simon defendeu a primeira cobrança de pênalti do meia Locatelli, e o atacante espanhol Dani Olmo isolou a primeira cobrança. Belotti, com chute forte, colocou a Itália em vantagem e o canhoto Gerard Moreno empatou. De pé direito, Bonucci converteu a segunda cobrança da Itália, e Tiago Alcântara empatou. A Itália ficou em vantagem (3 x 2) com a cobrança do canhoto Bernardeschi, e Donnarumma defendeu o chute de Morata.

CATEGORIA – Com cinco pênaltis convertidos, dois bem defendidos e um chutado longe da trave, a nona cobrança seria decisiva e o meia brasileiro Jorginho soube aproveitar com categoria, batendo rasteiro de pé direito no canto esquerdo do goleiro que escolheu o lado errado. Jorge Luiz Frello Filho, o Jorginho, de 29 anos, nasceu em Imbituba, litoral Sul de Santa Catarina, mudando-se com a família aos 16 anos para a Itália, onde optou pela cidadania.

TUCA-TUCA – O mais importante diário esportivo italiano, Gazzetta dello Sport, publicado desde 1896, em Milão, destacou com muita ironia: “Obra-prima italiana. Eles com o tiqui-taca, nós com o tuca-tuca. Itália, você está na final!”. O jornal manteve a irreverência ao escrever em outra matéria: “Domesticamos a Espanha nos pênaltis. Um belo conto azul sem fim”. O extinto Jornal dos Sports copiou a Gazzetta dello Sport, que usa a cor rosa desde o primeiro exemplar.

MALDITOS – O mais importante diário esportivo espanhol, Marca, ao lamentar a eliminação da seleção que tentava ser a primeira a ganhar a Eurocopa pela quarta vez, resumiu a decepção: “Malditos pênaltis”. Entretanto, não deixou de reconhecer o mérito do trabalho do técnico Luis Enrique, primeiro a não convocar jogador do Real Madrid, em toda a história da seleção: “Perdemos a final, mas ganhamos uma grande equipe, eliminada sem perder nenhum jogo”.

DONNARUMA, Di Lorenzo, Bonucci, Chiellini (cap) e Emerson (Toloi); Barella (Locatelli), Jorginho e Verrati (Pessina); Chiesa (Bernardeschi), Immobile (Berardi) e Insigne (Belotti) – a seleção que vai à final da edição histórica 60 da Eurocopa, domingo (11), no estádio de Wembley, na periferia de Londres, com Inglaterra ou Dinamarca. O técnico Roberto Mancini, de 56 anos, assumiu em 2018, após a Itália não ter se classificado para a Copa do Mundo da Rússia.

PERTO DO RECORDE – Depois de superar os 31 jogos invictos da Argentina, do técnico Álfio Basile, entre fevereiro de 1991 e setembro de 1993, a Itália completou no 1 x 1 desta terça (6) com a Espanha, 33 jogos de invencibilidade (27 vitórias, 6 empates). A Espanha foi a segunda a ficar mais tempo sem perder, entre fevereiro de 2007 e junho de 2009, com 35 jogos. O Brasil é recordista (36 jogos sem derrota, de dezembro de 1993 a janeiro de 1996). Com Zagallo, claro.

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