O título que o Bangu ganhou em 1966 resumiu bem a carreira de Luís Alberto, que participou de todos os jogos: técnica, raça e coração. Com Ubirajara, Fidélis, Mário Tito e Ari Clemente, formou a defesa que sofreu só 8 gols em 18 jogos, a menos vazada da década do Campeonato Carioca. Luis Alberto morreu ontem (21) aos 77 anos.

ALZHEIMER – Luis Alberto estava internado desde 13 de abril no Hospital Eduardo Rabello, em Campo Grande, bairro vizinho a Bangu, na Zona Oeste do Rio. Ele sofria desde 2013 do mal de Alzheimer, doença progressiva que destrói a memória e outras funções mentais importantes. Seu corpo será enterrado hoje (22), no cemitério de Irajá.

SUCESSOR – Luis Alberto sucedeu a um outro notável, o baiano Zózimo – 1932 – 1977 -, único campeão do mundo da história do Bangu, titular em todos os jogos da Copa de 62. Foram zagueiros de técnica refinada, que marcavam limpo, sempre visando à bola. Depois do Divino Mestre Domingos da Guia, os dois melhores jogadores de defesa da história do clube.

308 JOGOS – Banguense, de nascimento e de coração, Luis Alberto foi titular em 308 jogos,  décimo que mais vestiu e honrou a camisa alvirrubra, entre 1963 e 1975. Além do título de 1966, que o Bangu voltou a ganhar após 33 anos, foi vice-campeão em 64 e 68. Em 66, ele, o goleiro Ubirajara, o lateral Ari Clemente e o ponta Paulo Borges, em todos os jogos.

Luis Alberto em disputa com Roberto Miranda, do Botafogo, em jogo do Carioca de 1968.

NÚMEROS – Luis Alberto foi um dos destaques da campanha. O Bangu não sofreu gol em 15 dos 18 jogos e só não fez gol nos 0 x 0 com Vasco e Botafogo, no primeiro turno. O time do técnico argentino Alfredo Gonzalez – meia campeão no Flamengo em 1939 – fez 3 gols em 7 jogos, e 5 gols em 3 dos 18 jogos. Paulo Borges, artilheiro do campeonato, 18 gols.

CARA NA LAMA – Reencontro com Luis Alberto valia recordar alguns jogos. Em um deles, falamos sobre o da única derrota que o Bangu sofreu em 66. Paulo Borges fez 1 x 0 e o time levou a virada no segundo tempo, aos 40, com Almir marcando de cabeça, com a cara na lama.  Choveu muito após o intervalo, e o campo ficou enlameado: “Nosso time era técnico e perdeu o toque de bola” – recordava.

3 x 0 DA FINAL – Domingo, 30/10/66. Maracanã, 143.978 pagantes. Intervalo, Bangu 2 x 0 Flamengo, Ocimar e Aladim. O terceiro foi de Paulo Borges, logo aos 3 minutos. Aos 22, Almir agrediu Ladeira e o jogo não acabou. Luis Alberto, um dos quatro expulsos do Bangu, recordou comigo: “O Almir tirou o brilho da nossa festa, mas ele não parecia normal”.

CONFISSÃO – Tempos depois, Almir confessou ter jogado dopado e revelou: “Na volta para o segundo tempo, falei com o time: se eles fizerem o terceiro, o jogo não acaba”. Recordando: Almir deu um pique de 30 metros para agredir Ladeira no meio do campo e quase todos os jogadores se envolveram no maior conflito do Maracanã. Luis Alberto não merecia estar entre os nove expulsos por Airton Vieira de Moraes, o Sansão, quatro anos depois o árbitro brasileiro na Copa de 70.

Luis Alberto com a filha Jacqueline, casada com o ex-ponta Ado, vice-campeão brasileiro de 85 pelo Bangu.

HOMENAGEM – Luis Alberto dirigiu o Bangu em 77-78, mas seu melhor trabalho como técnico foi no Tupide Juiz de Fora, que já postou homenagem em seu site. Bicampeão mineiro do interior, foi o terceiro treinador com mais jogos (130) na história do time, que comandou em 84-85, 87-88 e 2000. 

Luis Alberto Alves Severino, carioca de Bangu, nasceu em 5 de novembro de 1942. Que Deus dê muita luz ao seu espírito.

Fotos: Assessoria de Imprensa Bangu AC