Quando o sistema de jogo era o 2-3-5, nos anos 40-50, o meio-campo era chamado de linha média, e algumas se destacaram. No primeiro tri do Flamengo, em 42-43-44, Biguá, Bria e Jayme. No  Botafogo, campeão de 48, Rubinho, Ávila e Juvenal. No Vasco, bi em 49-50, Ely, Danilo e Jorge. No Fluminense, campeão de 51, Vítor, Edson e Lafaiete. No segundo tri do Flamengo, em 53-54-55, Jadir, Dequinha e Jordan. Jadir completaria 90 anos, hoje, 9 de abril de 2020.

Jadir, com a camisa do Botafogo, e Dequinha, parceiros de sucesso no Flamengo

AMULETO – O paulistano Jadir Egídio de Souza – 1930 – 1977 -, canhoto, 1,85m, duro na marcação, raramente perdia uma dividida. Tornou-se o segundo a sair do Flamengo para o Botafogo, que queria ser bicampeão carioca em 1962. O primeiro foi o artilheiro Sylvio Pirilo, do tri de 42-43-44 do Flamengo, que, aos 32 anos, considerado velho, fez 19 dos 20 jogos e marcou 13 gols, e o Botafogo voltou a ser campeão em 1948, depois de 13 anos.

PIRILO – No título de 1948, o presidente Carlito Rocha – 1894 – 1981 – tornou o Botafogo supersticioso. Obrigava o time a tomar gemada antes do jogo e a entrar em campo com seu cachorro preto e branco, o Biriba. Após a única derrota – 4 x 0 para o São Cristóvão, na estreia -, entrou furioso no vestiário e bradou: “Chega! Até o fim do campeonato, não vamos perder mais”. O time cumpriu: 17 vitórias, 2 empates. Dos 59 gols, Pirilofez 13

Amistoso entre Flamengo e Seleção Brasileira no Maracanã. Em lance de ataque do escrete canarinho, o jovem Pelé (direita) é acompanhado de perto por Jadir (centro). Crédito: revista Manchete Esportiva número 130 – 17 de maio de 1958.

SERVÍLIO – Nove anos depois, foi preciso recorrer à artimanha para conseguir Servílio, do tri 53-54-55, que o Flamengo não queria vender… para o Botafogo. O Botafogo então usou o Sport para comprá-lo, e em seguida repassá-lo ao Cruzeiro, em que fez só 1 jogo… A manobra foi do técnico João Saldanha, inteligente e criativo, que trabalhava por puro amor ao clube. Servílio, zagueiro, aos 29 anos, campeão carioca de 1957, em 20 dos 25 jogos.

JADIR – Na final de 1961, o Botafogo fez 3 x 0 no Flamengo – Amarildo (2) e China – e era preciso manter a escrita, tirando outro jogador do Flamengo, para ser bi em 62. Jadir foi o escolhido para formar a zaga com Nilton Santos, já sem pique para ser lateral, e a escrita foi mantida, na segunda final consecutiva: Botafogo 3 x 0 Flamengo, com um show e dois gols de Garrincha, diante de 150 mil pagantes, na tarde calorenta do sábado, 15/12/62, no Maracanã. 

472 JOGOS – Jadir foi o nono que mais vestiu a camisa do Flamengo, em 472 jogos, com 270 vitórias e 5 gols, de 1951 a 1961, quando ganhou o torneio Rio-São Paulo. No título de 62 do Botafogo, só participou dos três últimos: 3 x 1 no América, 1 x 0 no Fluminense e 3 x 0 no Flamengo. Nasceu em 9/4/1930, em Jaçanã, distrito da Zona Norte de São Paulo, que ganhou fama no samba Trem das 11, do compositor Adoniran Barbosa (1910 – 1982), cujo verdadeiro nome era João Rubinato.

HISTORINHAS – Meu parceiro e amigo Marcelo Santos, rubro-negro que escolhe as fotos e publica o blog, gosta de me perguntar: “Alguma historinha, Deni?“. Algumas, Marcelo, para concluir esta matéria. 1 – Depois da final do Supersupercampeonato de 1958, Vasco campeão, a final de 62, Botafogo 3 x 0 Flamengo foi a segunda em um sábado, porque domingo a Presidente Vargas, via de acesso dos carros da Zona Sul ao Maracanã, estaria fechada  para  a missa do padre americano Patrick Peyton, fundador da Cruzada do Rosário em Família. Bom lembrar: o túnel Rebouças só foi inaugurado em 3/10/1967.

MANGA COMPRIDA – Segunda historinha: o Botafogo voltou a usar manga comprida na final de 62, cinco anos após a goleada de 1957 (6 x 2) no Fluminense, que jogava pelo empate. O calor era intenso nos dois jogos, mas o zagueiro Tomé, capitão do time de 57, sugeriu e a camisa de manga comprida foi aceita. Em 62, o apoiador Airton, capitão do time, lembrou da conquista anterior e a equipe voltou a fazer a final de manga comprida.

ARTILHEIRO – Para concluir as historinhas desta matéria: Dida, do Flamengo, estava com 18 gols, mas Paulinho Valentim fez cinco e tornou-se artilheiro, com 22 gols. Botafogo 6 x 2 Fluminense foi a maior goleada de uma final da história do Campeonato Carioca, diante de 99.465 torcedores. Paulinho Valentim, Nilton Santos e Tomé participaram dos 22 jogos, com 16 vitórias. Paulinho Valentim – 1932 – 1984 -, ídolo da torcida do Boca Juniors – 71 gols em 115 jogos, de 60 a 65 -, foi campeão em 61 e artilheiro e campeão em 62 e 64. 

Foto: flamengoeternamente.blogspot.com