Entristece-me registrar a morte de José Luiz Carbone, com quem convivi nos anos 80 e 90, no Fluminense e no Botafogo, acompanhando de perto a qualidade do trabalho que desenvolvia como um dos técnicos mais capazes que conheci. Era muito aplicado e sabia ensinar bem o que aprendeu como volante com ampla visão do campo, como nos cinco títulos gaúchos consecutivos, entre 69 e 73, que o Internacional ampliou para o inédito octa em 76, quando também ganhou o bi brasileiro.

A ESTREIA – Quando Zagallo iniciou a preparação para a Copa de 74, Carbone foi um dos convocados e cobri sua estreia na seleção, em 25 de junho de 1973, no estádio de Rasunda, em Estocolmo, onde 15 anos antes o Brasil ganhou a primeira Copa. Zagallo se emocionou ao voltar ao estádio onde marcou o penúltimo gol dos 5 x 2 da virada na final de 29 de junho com a Suécia, que fez 1 x 0 aos 4 minutos. Senti alegria e felicidade em Carbone ao ouvir um pouco das histórias.

A ÚNICA – Carbone fez seis jogos pela seleção e a única derrota foi na estreia, com o arisco ponta-esquerda Sandberg marcando o gol único aos 32 do segundo tempo. A seleção: Wendel (Leão), Zé Maria, Luis Pereira, Piazza e Marinho; Carbone, Rivelino e Paulo Cesar; Valdomiro (Dario), Jairzinho e Dirceu. Bom lembrar: no fim do amistoso Suécia 1 x 0 Brasil, apitado pelo alemão Rudi Glockner, árbitro da final da Copa de 70, Brasil 4 x 1 Itália, foi cumprimentar Zagallo.

O INÍCIO – O primeiro tri carioca do Fluminense, no Maracanã, continuou com o trabalho de Carbone, em 83, campeão com 13 vitórias, 6 empates, 5 derrotas e saldo de 18 gols (31 a 13). O time-base: Paulo Victor, Aldo, Duílio, Ricardo Gomes e Branco; Jandir, Delei e Assis; Leomir, Washington e Paulinho (Tato), depois que o ex-meia Claudio Garcia dirigiu os primeiros jogos. Em 84, Parreira completou o trabalho que Carbone iniciou nos primeiros 16 jogos do título brasileiro.

BONS TIMES – Além de Botafogo e Fluminense, José Luiz Carbone foi técnico de outros bons times: Palmeiras, Cruzeiro, Internacional, Bahia e deixou também sua marca de campeão no peruano Sporting Cristal, em 96, e no paraense Clube do Remo, em 99. O primeiro time que comandou foi o paulistano Nacional e as portas do futebol do Rio se abriram para ele em 83, quando dirigiu o Goytacaz, de Campos, onde também Abel Braga terminou como zagueiro e começou como técnico em 85.

JOSÉ LUIZ CARBONE morreu ontem (27), aos 74 anos, de câncer hepático, diagnosticado há um mês, em Campinas, onde era comentarista da Rádio Brasil. Em meados deste ano tive o prazer de reencontrá-lo na premiação da Comissão de Desportos da Aeronáutica, no Jardim Sulacap, na Zona Oeste do Rio, em evento com a participação especial de Bris Belga e Carlos Alberto Lancetta na organização. Que Deus, do alto da sua infinita bondade, dê muita luz ao espírito de José Luiz Carbone.

Foto: Canal Flu News, Esporte Jundiaí, Tarde de Pacaembú, Torcedores, Terceiro Tempo