Tanto eu, que me empenho a cada dia para aprender mais, quanto Marcelo Santos, que sabe tudo de internet, seleciona as fotos e publica com muito capricho as matérias que escrevo, estamos sempre olhando em todas as direções. O título, entre aspas, é por ser de autoria de Rodrigo Mattos, colega jornalista que não conheço pessoalmente, mas que faz boas publicações em seu blog no portal Uol. “Ceni é uma bela embalagem sem nada dentro” chamou minha atenção e a atenção do Marcelo.

DOIS MESES – Retomo então o curso da matéria para dizer que amanhã, 10 de janeiro de 2021, Rogerio Ceni estará completando exatos dois meses no Flamengo, desde que assumiu em 10 de novembro de 2020. Questionado e pressionado, ao terminar 2020 sem gol, no 0 x 0 com o Fortaleza, e iniciar 2021 levando a virada de 2 x 1 do Fluminense, nos acréscimos, o técnico parece com os dias contados, em sua passagem no terceiro grande do futebol brasileiro, sem que ainda tenha conseguido se firmar.

NÃO BASTA – As perguntas, às vezes, surgem do nada. No início dos anos 60, Anselmo Domingos, dono da Revista do Rádio, lançou a Revista do Esporte, e me convidou para ser um de seus repórteres. Em reunião de pauta, tocou-me ouvir técnicos, e os bons da época, entre outros, eram Jorge Vieira, Flávio Costa, Gentil Cardoso, Zezé Moreira e o irmão Aymoré, e fui ouvir cada um sobre a pergunta que me ocorreu: basta ter sido bom jogador para ser bom técnico? “Não, mas pode ajudar” – disseram.

ROGERIO CENI, aniversariante do mês – faz 48 anos dia 22 -, recordista de jogos (1.237) e de gols (131, 61 de falta), como goleiro artilheiro do São Paulo, entre 1990 e 2015, foi dos mais brilhantes, e há de ter aprendido muito, não só jogando, mas com os técnicos Telê Santana e Muricy Ramalho. Só que, no início de seu quinto ano como treinador, Ceni só conseguiu resultados (e títulos) no Fortaleza, bem diferente do São Paulo, onde começou e não convenceu, do Cruzeiro e do Flamengo.

RETROSPECTO – Ceni começou técnico no São Paulo, em 2017, e saiu após 37 jogos: 14 vitórias, 13 empates, 10 derrotas. Nas duas vezes no Fortaleza, com quatro títulos – campeão da Série B (2018), bicampeão cearense (2019-20) e da Copa do Nordeste (2019) -, perdeu mais do que ganhou em 153 jogos: 21 vitórias, 33 empates, 39 derrotas -, e em sua passagem mais curta – só 46 dias -, no Cruzeiro, só ganhou 2 jogos, empatou 2, perdeu 4, e saiu muito desgastado com os jogadores.

FLAMENGO – Quando o Flamengo entrar em campo, amanhã (10), Rogerio Ceni estará completando 12 jogos no comando do time, que não conseguiu classificar na Copa do Brasil e na Libertadores, e só com um ponto nos dois últimos jogos, caiu para o quarto lugar no Brasileiro. Ceni só ganhou de times que estão no rebaixamento – Coritiba, Botafogo e Bahia -, e venceu o misto do Santos.

DISCURSO – Volto a abrir aspas para um trecho da análise do colega do portal Uol: “Quando se ouve Rogerio Ceni falar de futebol, estão lá conceitos de quem prega futebol ofensivo, dominante, com marcação pressão. Mas, quando o seu Flamengo está em campo, esse discurso é uma mera carta de intenções que não consegue ser executada. A virada sofrida para o Fluminense é um reflexo dessa realidade” – destaca Rodrigo Mattos.

FECHADO – “A armação da defesa foi sua qualidade mais ressaltada, ao ser contratado pelo Fortaleza, que tinha uma das defesas menos vazadas, mas era também um dos piores ataques da Série A, o que foi pouco lembrado. No Flamengo, tem 17 gols, média de 1,54, e só conseguiu 48% dos pontos, menos da metade, isso para o técnico brasileiro, tido como o mais promissor da sua geração. Ceni era uma bela embalagem, só que o Flamengo não encontrou nada dentro até agora”.