Sem saber o que fazer com parte do lucro de uma das suas empresas, o bilionário Thomas Daniel Friedkin, de 54 anos, com fortuna pessoal superior a 4 bilhões de dólares, decidiu comprar a Roma por 591 milhões de euros (R$3.800 milhões). Mas, por ser americano, ele preferiu dizer que gastou 700 milhões de dólares, na compra do segundo clube mais antigo da capital italiana (7 de junho de 1927), fundado 27 anos depois da arquirrival Lazio (9 de janeiro de 1900).

OITO ANOS – Associazone Sportiva Roma apenas trocou de mãos bilionárias, depois de ter ficado oito anos sob controle de outro americano, James Pallota, de 62 anos,que não diz quanto pagou pelo clube em 2012, três anos após criar o Raptor Group, o mais forte em investimento privado do país. Palotta nasceu e foi criado em Boston, capital do estado de Massachusetts, a cidade mais antiga dos Estados Unidos, fundada por ingleses em 1630 e que festejará 390 anos no próximo 7 de setembro.

AVIÕES DE GUERRA – O novo dono da Roma é de San Diego, capital e segunda cidade com mais habitantes do Sul do estado da Califórnia, a 190 km de Los Angeles. Dono de hotéis de alto luxo em vários países, Daniel Friedkin tem a licença exclusiva da venda dos carros Toyota em cinco estados e o lucro da sua Gulf States Toyota, em 2019, foi de nove bilhões de dólares. Aviões são uma de suas paixões e ele tem a maior coleção de aviões de guerra antigos dos Estados Unidos.

AMBICIOSO – Sem nunca ter ganho a Champions, maior torneio de clubes do mundo, a Roma se restringe a três títulos italianos, em 41-42, 82-83 e 2000-01. O novo dono quer vê-la disputando títulos, não apenas participando, e quer começar pelo design da camisa, mantendo o vermelho-púrpura e o amarelo-ouro, cores do clube e da cidade. Ele gosta do Romolo, boneco em forma de lobo, mascote da equipe, que usa na camisa o número 753 a.C, ano da fundação de Roma.

BOM DIZER – A Roma foi eliminada ontem (6) da Liga Europa, com a derrota (2 x 0) para o Sevilha, nas oitavas de final, na cidade portuária alemã de Duisburg, depois de 0 x 0 no jogo de ida, em Roma. O Sevilha é o maior vencedor do torneio com cinco títulos, e jogará nas quartas de final, terça (11), com o inglês Wolvrhampton, do técnico português Nuno Espírito Santo, que eliminou (1 x 0) o grego Olympiacos.

BRASILEIROS – O atacante Francesco Totti, maior ídolo da torcida da Roma, é insuperável. Foi a única camisa que vestiu, com os recordes de 786 jogos e 307 gols, entre 1993 e 2017. Mas, alguns brasileiros fazem parte da história do clube e o mais importante é Paulo Roberto Falcão, que depois de atuações notáveis em 152 jogos e 28 gols, entre 1980 e 1985, ganhou a faixa de Rei de Roma, tricampeão da Copa Itália e comandando o time que não era campeão italiano há 80 anos.

MARCANTE – O ex-zagueiro Aldair, campeão do mundo em 94, foi outro que marcou época na Roma, em 436 jogos, com 20 gols, entre 1990 e 2003, campeão italiano em 2000-2001. Quinto que mais vestiu a camisa do time. Outro ex-zagueiro que também brilhou na Roma foi Juan, em 148 jogos, com 11 gols, entre 2007 e 2012, e o lateral Cafu, campeão italiano em 2000-01, em 218 jogos e 8 gols, entre 1997-2003.

ARTILHEIRO – Garrincha bem que poderia ter ganho uma comissão. Em 1955, quando o Botafogo foi à Europa, ele passava, como sempre, pelos marcadores e deixava Dino e Vinícius na cara do gol. O Botafogo vendeu Dino para a Roma e Vinícius para o Napoli, e ambos nunca mais voltaram da Itália. O carioca Dino da Costa foi artilheiro do campeonato 56-57 com 22 gols, dos 83 em 163 jogos pela Roma, entre 1955 e 1961. O mineiro Luis Vinícius Menezes, de 89 anos, foi técnico do Napoli.

NADA A VER COM o futebol italiano, mas vale lembrar: na final com mais gols de toda a história do Campeonato Carioca, em 1957, Botafogo 6 x 2 Fluminense, Garrincha participou 100% da façanha de Paulo Valentim, único a marcar cinco gols em uma decisão no Maracanã, terminando como artilheiro com 22. Dida, do Flamengo, estava com 21. Paulo Valentim, com 17. Coincidência ou não, aquele camisa 7 do Glorioso, e da seleção que ganhou duas Copas consecutivas, fazia a diferença.

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