A abertura de uma linha de crédito de 100 milhões de reais, oferecida sem juros aos clubes, segundo o anúncio, é a forma encontrada pela Confederação Brasileira de Futebol de socorrer os participantes da Série A, que ainda não sabem quando começarão a disputar o campeonato de 2020, que dificilmente deixará de se estender a 2021. A iniciativa é boa e preserva a matéria-prima da própria CBF, preocupada em manter a competição em nível elevado do ponto de vista técnico.

COMPENSAÇÃO – Os efeitos devastadores da pandemia do novo coronavírus ainda causam sérios estragos no Brasil, tipo os conflitos de interesses. De alguns clubes, Flamengo à frente, com o Vasco na carona, querendo reiniciar logo os jogos, mas Botafogo e Fluminense em posição contrária, bem diferente dos paulistas, que decidiram só recomeçar com segurança. A união dos clubes e da Federação Paulista foi unanimidade que marcou e deixou a melhor das impressões. 

SACRIFÍCIO – O substantivo masculino se ajusta bem ao momento atual, em que os clubes não tiveram outra alternativa, se não a de aceitar a redução dos valores da televisão. A economia do país encolheu, as vendas dos anunciantes diminuíram e tudo ficou abaixo do projetado. A maioria dos clubes de ponta está recorrendo à adequação de prazo para saldar as dívidas e alguns sequer estão conseguindo fazer face às despesas, acumulando atrasos com jogadores e comissões técnicas.

SEM JUROS – A Confederação Brasileira de Futebol deixa claro que os clubes não terão que pagar juros pela linha de crédito, o que pode ser considerado como segundo alívio da situação. A ajuda se estende aos da Série B, que pela diferença clara de investimento, ficarão com a cota mais modesta de 15 milhões. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas é impossível deixar de recorrer a dois ditados: “Quando a esmola é grande, o pobre desconfia”, e como sempre ouvi, desde os tempos de garoto, em Manaus, “Ninguém dá prego sem estopa”

Foto: Lucas Figueiredo/CBF