Ronaldinho Gaúcho completará um mês preso na penitenciária de segurança máxima do Paraguai, no bairro de Tacumbu, nos arredores da capital Assunção, no próximo sábado (4), depois de entrar no país, junto com o irmão Roberto Assis, com passaporte falso. Devido à epidemia do coronavírus, as atividades do Poder Judiciário paraguaio continuarão suspensas pelo menos até 12 de abril, retardando o julgamento de todos os processos.

EXAMES DIÁRIOS – Os advogados do ex-jogador admitem que o caso não será julgado antes do fim de abril, em virtude dos muitos processos em pauta há mais tempo. Desde o final de semana, a direção da penitenciária decidiu proibir visitas e determinou que todos os detentos passem por exames diários com médicos e enfermeiros. Segundo porta-voz do sistema carcerário, a situação está sob controle, sem que nenhum presidiário esteja contaminado.

DESDE 2018 – A origem do problema de Ronaldinho teve início em 2018, quando seu passaporte brasileiro foi apreendido, por ele não ter pago a multa de 250 mil reais, ao contaminar as margens do rio Guaíba, em Porto Alegre, ao construir, nos fundos de sua casa, um cais e uma plataforma em área de preservação ambiental. A partir de então, seu irmão tentou a obtenção, a todo custo, de um passaporte, a fim de que pudessem viajar.

PROCESSO – Uma decisão que pode beneficiar os irmãos, foi a do procurador Federico Delfino, que considerou terem sido enganados e recomendou à Justiça que não sejam processados. Delfino, no entanto, fez uma ressalva: é preciso que ambos admitam o delito de que foram acusados. Tanto Ronaldinho quanto o irmão não têm falado a respeito, deixando tudo a cargo do advogado que os têm acompanhado desde o início do caso.

BRASILEIRO – O investigador paraguaio Gilberto Freitas, do setor policial da comissão que apura o caso, disse que os passaportes falsos foram entregues a Ronaldinho e ao irmão por um brasileiro, que logo teria sido identificado e preso, mas com o nome preservado para não atrapalhar a investigação. Freitas disse que “ambos foram surpreendidos em sua boa fé”, acrescentando: “As informações que deram estão sendo muito úteis para desbaratarmos um grupo criminoso, que se dedica a produzir documentos falsos”.

Foto: Reuters