O título desta matéria, baseado em entrevista do presidente da FIFA à Gazzetta dello Sport, de 126 anos, criada em abril de 1896, na Itália, reflete bem os conceitos do suíço-italiano Gianni Infantino, que completa 50 anos hoje, 23 de março de 2020Antes de tudo, ele não faz ligação do futebol com a epidemia que assola o mundo, mas considera que o coronavírus pode ajudar, com menos torneios, menos jogos e o aumento do nível técnico.

BOA CHANCE – Talvez lembrando que “há males que vem para o bem”, o dirigente destacou: “A crise do coronavírus é uma boa chance para a reforma do futebol no mundo”. Infantino repetiu o que havia dito: “A crise do coronavírus é uma boa chance para a reforma do futebol no mundo”… e acrescentou: “Com um passo atrás”. E fez outra repetição do que havia dito no início: “Menos torneios, menos jogos, nível técnico de mais qualidade”.

A VOLTA – O presidente da FIFA sorriu, ao saber que o Comitê Olímpico Internacional, depois de tanto insistir em  manter os Jogos de 2020 no Japão, curvou-se à realidade e decidiu pelo adiamento neste dia do seu aniversário: “É um presente que recebo com alegria. O futebol e todos os esportes não podem ser reativados enquanto a epidemia não for vencida. Antes de tudo, precisamos de um estudo profundo para superarmos a crise”.

A SAÚDE – Usando a lógica, Gianni Infantino disse que “a saúde de todos está acima de todos os esportes, que não podem ser praticados se a saúde não estiver boa”. O presidente disse ainda: “É preciso esperar sempre o melhor, mas não podemos deixar de nos preparar para o pior. A epidemia é grave, muito grave e não há quem esteja imune. Mas é precisamos manter a calma, se não o pânico será inevitável e a solução fica ainda mais difícil”.

A UNIÃO – O presidente da FIFA fez questão de ressaltar a união dos clubes e das Associações, com a soma de forças, sem nenhuma divisão, entre todos os continentes: “A Europa, a América do Sul e todas as demais, mesmo que não tenham o mesmo prestígio no futebol, devem somar”. Infantino frisou também que “o momento é de pensar nos clubes e em decisões que obrigatoriamente os mantenham protegidos para que continuem fortes”

MUNDIAL – Gianni Infantino preferiu não comentar sobre a Copa de 2022, talvez a última com 32 seleções, passando a 48 em 2026, mas analisou o próximo Mundial de clubes, ressaltando que o aumento para 24 equipes “é em benefício do aumento da qualidade do futebol e necessário para elevar o nível técnico”. Ele lembrou que “há 30 anos, quando a União Europeia criou a Liga dos Campeões, houve revolta das Federações, que hoje a reconhecem excelente”. Infantino finalizou: “Como sempre, vamos decidir com calma. Será o primeiro Mundial de clubes com 24 equipes, só não podemos dizer agora se será em 2021, 2022 ou 2023”.

SETE IDIOMAS – Gianni Infantino, presidente da FIFA, comemora seus 50 anos bem vividos, em Briga, pequenina cidade de 15 mil habitantes, no Cantão Vallais, a 123 km de Berna, capital da Suíça, sede da quinta Copa do Mundo, em 1954. Fluente em sete idiomas – italiano, alemão, inglês, francês, espanhol, português e árabe (sua mulher, com quem tem três filhos, é do Líbano, e a conheceu quando secretário da Associação de Futebol, na capital Beirute) -, Infantino, advogado, foi diretor jurídico e secretário-geral da UEFA, de 2000 a 2009, elegendo-se presidente da FIFA em 26 de fevereiro de 2016, com 115 votos, contra 88 de Salman Al-Khalifa, do Bahrein.

MUITO APOIO – Bom dizer: as raízes de Gianni Infantino continuam em Briga, onde nasceu. A pequenina cidade foi fundada pelos bispos de Sion e mantém desde 1853 o trabalho das religiosas que dirigem o Instituto Sainte Úrsula de Briga. O presidente da FIFA apoia a escola de formação de professoras, a escola de comércio e a escola de ajuda às famílias desde 1985. Coisa de gente de altíssimo nível. Coisa de primeiro mundo. Um dia chegaremos a tal ponto.