Ao completar ontem, 17 de agosto de 2019, 102 jogos, defendendo dois pênaltis, pela primeira vez, pelo Flamengo, o carioca Diego Alves, de 34 anos, 1,88m, canhoto, canceriano de 24 de junho de 1985, foi o  destaque dos 4 x 1 sobre o Vasco, contribuindo para a subida do time à vice-liderança do Brasileirão. Ele resumiu o feito, que repetiu depois de três anos, com muita simplicidade: “Estou feliz e orgulhoso”.

BOM LEMBRAR – Os pênaltis batidos por Pikachu e Bruno Cesar, ontem (17), no estádio Mané Garrincha, em Brasília, foram o quinto e o sexto que Diego Alves defendeu pelo Flamengo. O primeiro, em 2 de outubro de 2017, manhã de domingo de sol em Campinas, foi o de Lucca, da Ponte Preta. Os outros três foram de Tiago Amaral, da Portuguesa Carioca; Jael, do Grêmio, e Intriago, da LDU do Equador.

A PRIMEIRA VEZ – Diego Alves defendeu dois pênaltis no mesmo jogo, pela primeira vez, em 2 de outubro de 2016, o que não evitou a derrota (2 x 0) do Valencia para o Atlético de Madrid. O primeiro foi batido pelo meia francês Antoine Griezmann, hoje no Barcelona, aos 24 minutos, com defesa no canto esquerdo. O segundo, pelo espanhol Gabi, em cobrança no canto direito, aos 25 minutos do segundo tempo.

CRISTIANO E MESSI – Os dois melhores do mundo das últimas dez temporadas são os mais famosos que pararam nas mãos de Diego Alves. Ele defendeu a primeira cobrança de Cristiano Ronaldo, em 5 de dezembro de 2009, no canto esquerdo, em Valencia x Real Madrid, no estádio Mestalla, pelo campeonato. A primeira de Messi, no canto direito, em 1 de fevereiro de 2012, em jogo da Copa do Rei da Espanha, no Camp Nou, com 90 mil torcedores.

DIEGO ALVES defendeu mais dois pênaltis batidos por Cristiano Ronaldo, em jogos do Campeonato Espanhol, em 9 de maio de 2015, e em 29 de abril de 2017, em um de seus últimos dos 127 jogos com a camisa do Valencia, que vestiu e honrou desde 2011.

OS RECORDES – Diego Alves estabeleceu o primeiro recorde de defesas de pênaltis na Espanha, em 25 de setembro de 2016, com 17 defesas em 39 cobranças, no chute do lateral-esquerdo Alexander Szymanowski, argentino de Buenos Aires, filho de poloneses, do Club Deportivo Leganés. Com 17 defesas, Diego Alves superou o lendário Andoni Zubizarreta, do Barcelona, que havia feito 16 defesas em 107 cobranças.

EM 29 DE ABRIL DE 2017, o segundo recorde de Diego Alves. Com seis defesas de pênaltis, em uma só temporada, o goleiro do Valencia bateu a marca de cinco defesas, em uma só temporada, do madrilenho Pep Reina, então no Barcelona, e hoje aos 36 anos ainda jogando pelo Milan, e de José Manzanedo, do Burgos Club de Futbol, já aposentado, que defenderam cinco cobranças.

OS QUATRO CLUBES -Diego Alves iniciou em 2011 no Botafogo de Ribeirão Preto, onde vivia sua família, mas logo saiu para oAtlético Mineiro, que defendeu de 2005 a 2007 em 61 jogosCampeão da Série B em 2006 e campeão mineiro em 2007, com o prêmio de melhor goleiro das duas campanhas. Em junho de 2007 foi vendido por 2.500 mil euros para o Almeria. Disputou 125 jogos e saiu por 3 milhões de euros, em maio de 2011, para o Valencia.

FORAM SEIS ANOS no Valencia, que o comprou por três milhões de euros, atuando em 178 jogos, mas teve que ficar nove meses parado, em virtude de lesão grave no joelho em maio de 2015. Ao voltar, em fevereiro de 2016, completou 24 defesas em 50 pênaltis nos 3 x 0 sobre o Deportivo La Coruña.

DIEGO ALVES chegou ao Flamengo em 16 de junho de 2017, comprado por 300 mil euros, o equivalente ao câmbio da época a 1 milhão de reais, menos do que ganha por mês o atacante Gabriel. Aliás, a diferencia salarial entre os dois é acentuada. Diego Alves, com contrato até 2020, recebe 500 mil reais por mês, três vezes menos do que é pago a Gabriel.

CLAVÍCULA E TÉCNICO – Foram os dois primeiros problemas graves que Diego Alves teve nesses dois anos no Flamengo. Em novembro de 2017, em choque com o atacante Gonzalez, do Júnior Barranquilla, no jogo de ida da decisão da Copa Sul-Americana, no Maracanã, o goleiro fraturou a clavícula.Ao voltar em 2018, o problema com o técnico Dorival Júnior, ao se recusar a seguir com o time para o jogo com o Paraná Clube. A posição só foi recuperada aos poucos.

DIEGO ALVES ganhou a Taça Guanabara de 2018 e em 2019 a Copa Flórida, na pré-temporada nos Estados Unidos, e o Campeonato Carioca, com duas vitórias sobre o Vasco. Para ele, o jogo 102 com a camisa do Flamengo tem significado especial, pela goleada de 4 x 1 e por ter sido o segundo da carreira em que defendeu dois pênaltis, além de acordar neste domingo (18) na vice-liderança do Brasileirão.

SOBRE PÊNALTI, o goleiro do Flamengo resume: “É uma guerra psicológica. As chances de quem chuta são muito maiores do que as de quem defende. O que faço é procurar sempre tentar tirar a tranquilidade do cobrador”. Diego Alves completa: “O que não posso fazer, é defender sempre, como o torcedor gosta”. 

Foto: Net Fla