Faz dois anos hoje, 8 de fevereiro de 2021, da tragédia do Ninho do Urubu, onde dez jovens do futebol da base do Flamengo morreram queimados e outros três sofreram ferimentos graves, após curto-circuito provocado no ar-condicionado das instalações inadequadas dos alojamentos em que dormiam, de acordo com o laudo da perícia técnica. Os dirigentes foram acusados pelo Ministério Público de coagir as famílias para que aceitassem os valores que propuseram como indenização.

Houve duas sessões no plenário da Assembleia Legislativa para que o presidente do clube apresentasse explicações. Ele faltou à primeira, mas disse que iria à segunda e também não compareceu. O quanto foi possível, a diretoria atual repassou o problema para a diretoria antecessora. Mesmo que o incêndio tenha ocorrido na gestão Bandeira de Melo, a gestão Rodolfo Landim não pode ser eximida de culpa porque o atual presidente havia assumido mais de um mês antes da tragédia.

Muito mais que indenizações, o valor moral do caso se sobrepõe. Dois anos depois da maior tragédia de 125 anos da sua história, o Flamengo e seus dirigentes não podem deixar de merecer punição exemplar por terem tirado a vida de dez jovens. Desde 8 de fevereiro de 2019 até 8 fevereiro de 2021, ninguém foi preso. Nem pode ficar por isso mesmo.

Foto: Jornal Midiamax