Formado na base do Fluminense, em Xerém, quarto distrito de Duque de Caxias, segundo maior município do estado do Rio de Janeiro, o atacante capixaba Dorielton, de 29 anos, foi um dos brasileiros que desbravaram a China, pioneiro na transição do futebol para o profissionalismo, com a chegada de Tevez, Hulk, Pato, Oscar, Renato Augusto, entre outros.

OITO ANOS – Dorielton, ou simplesmente Dori, está completando oito anos na China e entra no túnel do tempo para lembrar que o início foi difícil: “No Zhongyou, meu primeiro clube, eu e os companheiros de time levávamos o material de treino e o uniforme do jogo para lavar em casa. Hoje, tudo mudou: não há clube que não tenha sua lavanderia”.

COMIDA – “Não havia escolha no início: a comida que nos serviam era só a chinesa, muito apimentada e eu sentia vontade de ir direto ao chuveiro porque o tempero esquentava meu corpo todo. Hoje os pratos são variados, de acordo com os estrangeiros. Os clubes passaram a ter até nutricionista, criando refeições balanceadas, ricas e saborosas”.

GOVERNO – “Com a chegada de valores e o aumento da frequência de público, os jogos passaram a despertar mais interesse e o governo se sensibilizou. Houve investimento e apoio financeiro e cultural para todos os clubes. O ambiente favorável tornou mais fácil a adaptação dos estrangeiros, que não demoram tanto para se ajustar à vida no país”.

TRÂNSITO – “Por menor que seja, a cidade é sempre muito habitada. O trânsito foi um dos grandes problemas a ser superado, sei lá quantas vezes mais complicado que o do Rio e o de São Paulo. Deixei o carro de lado. Hoje prefiro moto e patinete, mais rápido e a gente chega aonde quer sem tanta complicação nem perda de tempo”.

TÉCNICOS – “Os técnicos chineses pedem muita marcação e pouca troca de passes. Eles gostam mesmo é do jogo rápido, objetivo, direto ao gol. Exigem que o preparo fisico seja muito bom e cobram rendimento igual do início ao fim. A concentração é só um dia antes do jogo. Quanto à disciplina, que todos obedeçam o que mandam”…

EVOLUÇÃO – “O nível técnico tem evoluído e os chineses observam bem para tentar acompanhar os principais jogadores estrangeiros. Os torcedores são educados, não vaiam e procuram estimular. A presença feminina tem aumentado muito e as famílias também comparecem, levando os filhos sempre com a camisa do time”.

DORIELTON Gomes Nascimento é do Meizhou Hakka FC, com sede na cidade de Wuhua. No time, dirigido pelo holandês Luc Nijholt, de 58 anos, ex-zagueiro, há o meia Chiquinho e o atacante Japa. O técnico foi do Salzburg, da Áustria, e da seleção do Catar, e em seu primeiro ano como jogador, em 1990, ganhou a Copa da Escócia.

DORIELTON foi o primeiro capitão do Hohhot FC, da segunda divisão, na China tão valorizada quanto à primeira. Antes de chegar ao Meizhou Hakka FC, ele também se destacou no Harbin Yiteng, Guangdong e no Changchun Yatai. Seu contato no Brasil é Flávio Dias, jornalista que assessora vários jogadores em todos os cinco continentes.