A Copa do Brasil foi lançada em 1989, pela então CBD – Confederação Brasileira de Desportos -, criada em 5 de dezembro de 1916, e que passou a ser CBF – Confederação Brasileira de Futebol -, em 24 de setembro de 1979, como um cala-boca nos pequenos clubes, que perderam espaço com a redução dos participantes da Série A do Campeonato Brasileiro. Algo que há mais de século foi feito na Inglaterra, berço do futebol, e outros países europeus, modelos e inspiração dos sul-americanos.

86 e 91 TIMES – A Copa do Brasil teve 86 times em 2013 e 91 em 2017, com alterações frequentes, de acordo com interesses comerciais e políticos, que fazem parte da costura adotada pelos dirigentes do futebol em todos os níveis, o que não é coisa recente. O almirante Heleno de Barros Nunes, último presidente da CBD – 75 a 79 – e primeiro presidente da CBF – 79/80 -, já dizia: “Onde a Arena vai mal, mais um clube no Nacional”. Não se usava brasileiro, usava-se Campeonato Nacional.

ARENA, sigla da Aliança Renovadora Nacional, foi um partido criado em 1965 para dar suporte político à ditadura militar iniciada no golpe da terça-feira, 31 de março de 1964. As ingerências no futebol passaram a ser constantes e cada vez mais influentes, como na demissão de João Saldanha, que João Havelange convidou para dar um cala-boca na imprensa, que ainda o pressionava pelo fracasso na Copa de 66, em que o Brasil só ganhou um dos três jogos e foi eliminado nas oitavas de final.

JOÃO SALDANHA começou a perder o cargo, ao rechaçar uma insinuação do presidente Emílio Garrastazu Medici pela convocação do atacante Dario. Poucos sabem e alguns talvez se lembrem: na época, Edu – artilheiro do América – era mais jogador, mas um dos irmãos dele havia tido problema com os militares e foi detido em um dos quartéis. A ditadura impôs a demissão de Saldanha, e a presença de um militar na chefia da delegação ao México, o brigadeiro Jeronimo Baptista Bastos, o que se repetiu na Copa de 74, quando a delegação foi chefiada pelo coronel Eric Tinoco Marques.

ASSIM CAMINHA o futebol e assim vai continuar, enquanto a bola e o mundo forem redondos. A Copa do Brasil é a válvula de escape da CBF, que copia os modelos da Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha, França e outros evoluídos, mas involui ao não adaptar o calendário do futebol brasileiro ao europeu, como já o fizeram todos os sul-americanos, menos ainda de acabar com os falidos campeonatos estaduais, defasados, ultrapassados, desenxabidos, há já um bom tempo.

A COPA DO BRASIL está em seu ano 32, iniciada em 1989, quando o campeão de cada ano ficava com a taça, critério que mudou em 1994, dando a posse definitiva ao clube que fosse três vezes campeão. Essa taça está com o Grêmio, depois das conquistas de 89, 97 e 2001. Dois anos depois, o Cruzeiro conseguiu algo inédito: ganhou em 2003 a Copa do Brasil, o primeiro Brasileiro dos pontos corridos, e o Mineiro. O nome de Vanderlei Luxemburgo está gravado na história do clube.

FLAMENGO x VASCO – A primeira decisão da Copa do Brasil entre equipes do mesmo estado foi a de 2006, no Maracanã, onde o Flamengo ergueu a taça ao vencer o Vasco por 2 x 0 e 1 x 0, ainda no formato antigo de dois jogos, como voltaria a acontecer em outras duas finais. Em 2014, no Mineirão, o Atlético venceu o Cruzeiro por 2 x 0 e 1 x 0, e em 2015, o Palmeiras foi campeão, na primeira decidida em pênaltis (4 x 3), após perder por 1 x 0 e ganhar por 2 x 1.

RECORDISTA – O hoje técnico Roger Machado, lateral-esquedo dos bons, tornou-se o único jogador a ganhar quatro vezes a Copa do Brasil, ao marcar o gol do 1 x 0 do Fluminense, na final de 2007 com o Figueirense. Ele havia sido campeão com o Grêmio em 94, 97 e 2001. Antecipo cumprimentos ao Roger, que amanhã (25) completará 46 anos. 

PRIMEIRO GOL – Foi do atacante Alcindo o primeiro gol da Copa do Brasil, na vitória (2 x 0) do Flamengo sobre o Paysandu, de Belém do Pará, na tarde da quarta-feira, 19 de julho de 1989, no estádio da Gávea, com 3.567 pagantes. O passe foi de Zico, em sua única Copa do Brasil, e Alcindo também faria o segundo gol. Bom lembrar: Cantarelle, Leandro Silva, Marcio Rossini, Rogerio e Leonardo (hoje diretor do PSG); Marquinhos, Ailton e Zico; Alcindo (Marcelinho), Nando Pinho e Zinho.

VOVÔ NENÊ – O meia paulista de Jundiaí, que no próximo 19 de julho vai completar 40 anos, tornou-se, com seis gols, o artilheiro mais velho da Copa do Brasil, em 2020, dividindo o prêmio, aos 38 anos, com Brenner, de 20 anos, que pouco depois o São Paulo negociou, em transação recorde, com o Cincinnati, da Liga dos Estados Unidos. Bom lembrar: em 2010, o Santos bateu o recorde de gols (39) em uma única edição da Copa do Brasil.