A final inédita entre paulistas, no maior palco do futebol carioca, é um golpe duro no Flamengo, eliminado no mata-mata das oitavas de final, nos pênaltis, pelo modesto Racing, quinto do ranking argentino. Um ano depois do quase tudo em 2019, o quase nada em 2020, até aqui restrito ao título carioca, que há tempos perdeu cotação e valor. Não era lícito esperar mais, depois do equívoco da contratação de um técnico espanhol sem lastro, simplesmente por ter sido assistente de Guardiola.

Mas, como na história do poeta Bocage, que não quis corrigir o texto de um amigo, que pretendia ser escritor, porque qualquer mudança o tornaria pior, daí a frase “pior a emenda que o soneto”, o Flamengo decidiu assumir outra multa, paga pela rescisão de Ceni, como fizera com Torrent, que só ficou dois meses. O mesmo time, campeão de quase tudo em 2019, desceu a ladeira da eliminação e vai ver no telão as finais da Copa do Brasil e da Libertadores.

Ainda que ganhar pelo segundo ano consecutivo o título brasileiro não seja impossível, a hipótese está ficando menos provável à medida que se passam as rodadas. O time não sabe aproveitar a queda dos adversários, e cai também, com tropeços jogo a jogo, com duas derrotas e um 0 x 0, com direito a escorreger na hora de bater o pênalti, e só um gol em três jogos. Pouco para quem pretende ser campeão de novo. Aliás, um candidato ao título não pode levar virada de um time que é goleado por 5 x 0.

Mesmo que ainda falte um pouco para o final, Ceni precisa fazer o time render bem, o que ainda não conseguiu em doze jogos. O grupo de jogadores já não inspira confiança e o desgaste de sua imagem está aumentando. Se não houver uma grande mudança, até 24 de fevereiro, todos terão o direito de continuar admirando apenas o ex-goleiro, não o técnico, que já não deu certo no São Paulo, no Cruzeiro, e agora no Flamengo. Ser campeão no Fortaleza é outra história. A camisa pesa menos.

Foto: Luka Gonzales/AFP