O maior mérito do Fluminense na conquista da Taça Rio de 2020, ao vencer o Flamengo nos pênaltis (3 x 2), na noite de ontem (8), no Maracanã, depois de 1 x 1 no tempo normal, foi o de se superar, do ponto de vista físico,  diante de adversário que teve muito mais tempo para treinar. Em contrapartida, o Flamengo esteve longe das boas atuações, e o desempenho da maioria dos jogadores foi muito abaixo e até irreconhecível, caso específico de Everton Ribeiro, o que mais decepcionou. A decisão do campeonato, sem público, será em dois jogos: domingo (12) e quarta (15).

DETERMINAÇÃO – O Fluminense mostrou uma força que não parecia ter e uma determinação que ainda não havia demonstrado este ano. Ao sair em vantagem com o gol de cabeça de Gilberto, aos 38, completando o primeiro desvio de cabeça de Marcos Paulo, na cobrança de falta de Egídio, o time criou a expectativa de como seria capaz de voltar após o intervalo, e correspondeu bem. O técnico Odair Hellmann soube usar o tempo certo nas substituições para manter o fôlego e a equipe rendendo bem.

EQUILÍBRIO – O Fla-Flu se caracterizou pelo equilíbrio, e ainda que o Flamengo tenha aumentado a pressão nos minutos finais, por estar mais bem condicionado, o Fluminense não se abateu com o gol de cabeça de Pedro, aos 32, em cruzamento sob medida de Filipe Luis. Houve outras duas chances claras que Bruno Henrique, em noite nada inspirada, deixou de converter, e talvez pelo retrospecto, não pelo que rendeu, tenha ficado mais tempo em campo.

GOLEIROS – Depois que Nenê e Gabriel converteram as primeiras cobranças, Diego Alves defendeu a de Dodi, e Muriel, a de Arão. Hudson foi o terceiro a converter (Flu 2 x 1). Leo Pereira, mais zagueiro que cobrador, isolou como se estivesse batendo tiro de meta, mas com outra defesa, na batida de Michel, Diego Alves evitou que o Fluminense ampliasse a vantagem. Pedro empatou (2 x 2), e Fernando Pacheco fez o gol que decidiu, tanto quanto Muriel, firme na última cobrança de um Rafinha bastante apático.

FLUMINENSE – Muriel, Gilberto (Michel), Nino, Matheus Ferraz e Egídio; Hudson, Dodi, Yago Felipe (Yuri Lima) e Nenê; Evanilson (Fernando Pacheco) e Marcos Paulo (Caio Paulista). Técnico – Odair HellmannFLAMENGO – Diego Alves, Rafinha, Rodrigo Caio, Leo Pereira e Filipe Luis; Arão, Gerson (Diego), Everton Ribeiro (Michael) e Arrascaeta (Pedro); Bruno Henrique (Vitinho) e Gabriel. Técnico – Jorge Jesus.

CINCO CARTÕES – Em sua primeira decisão após se tornar árbitro FIFA com todos os méritos, Bruno Arleu Araújo, de 37 anos, teve mais atuação segura. Sabe se posicionar, acompanhar os lances de perto, aplica bem a lei da vantagem e não deixa dúvida no uso do cartão. No primeiro tempo, advertiu: Nenê, aos 21, para travar contra-ataque de Gerson; Leo Pereira, aos 36, por falta em Yago, e Filipe Luis, aos 42, também por falta em Yago. Logo no primeiro minuto do segundo tempo, advertiu Gilberto por falta em Arrascaeta, e Rafinha, aos 14, após falta por trás em Fernando Pacheco.

CHANCE PERDIDA – Com a nona conquista em 2019, o Flamengo perdeu a chance de se igualar ao Vasco, maior campeão da Taça Rio com 10 títulos. Em seu quarto título, o Fluminense foi campeão pela segunda vez vencendo o Flamengo na final. Na primeira, em 2005, com Abel Braga dirigindo, Fluminense 4 x 1 Flamengo. A primeira que o Fluminense ganhou foi em 1990, com o técnico Paulo Emílio, e a última, outra vez com Abel Braga, 3 x 0 no Botafogo em 2018, com os gols de Jadson, Marcos Jr e Pedro (hoje no Flamengo).

BOM LEMBRAR – Na primeira Taça Rio que ganhou, em 1990, o Fluminense foi campeão na véspera, com a derrota do Flamengo para o Botafogo. No último jogo, já campeão, o Fluminense só não foi invicto porque perdeu para o América.1

FINAIS SEM PÚBLICO – Embora o Flamengo, campeão da Taça Guanabara, tenha somado mais pontos, a decisão com o Fluminense, campeão da Taça Rio na noite de ontem (8), não assegura vantagem. As finais serão sem público, domingo (12), às 16 horas, com o mando de campo do Fluminense, e quarta (15), às 21h30m, com o mando de campo do FlamengoO vencedor do primeiro jogo será campeão com empate no segundo jogo

Fotos: Metrópoles, Lucas Merçon / Fluminense FC