A expectativa é intensa e a resposta será dada pouco antes da meia-noite desta quarta, 23 de outubro de 2019. Flamengo e Grêmio disputam a vaga na final da edição histórica de 60 anos da Copa Libertadores, que teve no Peñarol, do Uruguai, o primeiro campeão em 1960. O River espera o vencedor para decidir pelo segundo ano consecutivo.

ANO DE OURO – É a décima quinta participação do Flamengo, campeão só em 1981, ao vencer o chileno Cobreloa, em jogo extra no estádio Centenário, em Montevidéu, depois de dois empates. O título foi ganho nos 2 x 0, gols de Zico, capitão e símbolo da geração mais vitoriosa do futebol do Flamengo, única a conquistar o Mundial de clubes.

35 ANOS DEPOIS – Desde então, o melhor que o Flamengo conseguiu na Libertadores foi a vaga na semifinal de 1984, que perdeu para o Grêmio. Nas outras três vezes em que passou da fase preliminar, o Flamengo parou nas quartas de final: em 1991, eliminado pelo Boca; em 1993, pelo São Paulo, e em 2010, pela Universidad de Chile.

DECISÃO INÉDITA – Flamengo ou Grêmio x River será decisão inédita. Nas 12 finais de times brasileiros e argentinos, o River só participou de uma, a de 1976, que perdeu para o Cruzeiro, pela primeira vez campeão. O Boca foi o que mais decidiu com brasileiros, e nas seis vezes, só perdeu duas, em 1963 para o Santos e em 2012 para o Corinthians.

A TERCEIRA – Se passar à final no jogo desta quarta (23) com o Flamengo, o Grêmio vai disputar a terceira decisão com time argentino: perdeu em 1984 para o Independiente, maior campeão da Libertadores com sete títulos, e perdeu em 2007 para o Boca, com 3 x 0 em Porto Alegre e 2 x 0 em Buenos Aires. O Boca é o segundo maior vencedor: 6 títulos.

FLAMENGO – Nomes certos: Diego Alves, Rodrigo Caio, Pablo Marí, Filipe Luis, Arão, Gerson, Everton Ribeiro, Gabriel e Bruno Henrique. O que mais preocupa é Rafinha, que pode ficar como opção, com Rodinei iniciando. Arrascaeta, embora não esteja confirmado, reúne mais chances de começar, e no caso a primeira opção seria Vitinho.

GRÊMIO – Luan é ausência sentida porque compõe bem o meio-campo e age rápido nos contra-ataques, além de ser um destro preciso nas finalizações. Geromel, que não entrou no 1 x 1 em Porto Alegre, vai recompor bem a defesa com o argentino Kannemann: ambos são bons na marcação, no jogo aéreo e até mesmo nas saídas de bola.

MESES E ANOS – Renato é um gaúcho com espírito carioca, bem criativo. Não raro, gosta de provocar e o faz até com ironia. Mas, na última entrevista antes do jogo, ele disse algo que faz sentido: “O time do Flamengo não era bom, passou a ser bom há quatro meses. O Grêmio, não. O Grêmio vem mostrando que é bom time há três anos”.

VANTAGEM – É absolutamente desprezível a vantagem do empate sem gol, se considerarmos que o Flamengo não se apega à defesa. Se assim fosse, não teria o ataque mais positivo do Brasil em 2019. Pode até se classificar com 0 x 0, mas, com toda certeza, não vai entrar para jogar no próprio campo. Retranca não faz parte do DNA rubro-negro.

MUITO CUIDADO – É o que os times precisam ter com Patrício Loustau, argentino de 44 anos, publicitário bem-sucedido em Buenos Aires, que completará 32 jogos na Libertadores e 250 na carreira. Herdou do pai, Juan Carlos Loustau, que expulsou o alemão Rudi Voeller e o holandês Frank Rijkaard, na Copa de 1990, o rigor com a disciplina.

BOM LEMBRAR – Loustau expulsou Gabriel, aos 29 do segundo tempo, na noite de 3 de abril de 2019, depois de um carrinho duro no meia Rojo, e o Flamengo perdeu o jogo (1 x 0) e a liderança da fase de grupos, diante de 66 mil torcedores no Maracanã. Quem for expulso ou levar o terceiro amarelo, fica fora da final de 23 de novembro no Chile.

SETE TÍTULOS – Marcelo Gallardo, técnico do River, disputará sua décima quarta decisão e tentará o décimo primeiro título. Será sua terceira final de Libertadores, campeão em 2015 e 2018. Das oito finais internacionais, ganhou sete. É o técnico mais bem-sucedido da história do River, que comanda desde 2014.

TRATADO COM muito carinho pelos torcedores, que o chamam de Muñeco – (Boneco, em espanhol) –, Gallardo, meia muito habilidoso, fez 172 jogos pelo River, de 92 a 99, e disputou as Copas de 98 e 2002. Faz parte do grupo seleto de campeões, como jogador e técnico, da Libertadores. Brilhou também nos franceses PSG e Mônaco.

Imagem: Jornal O Diário