Com 21 gols em cinco jogos, média de 4.2 gols por jogo, em três competições diferentes – Libertadores, Brasileiro e Copa do Brasil -, Renato Gaúcho igualou nos 6 x 0 da noite desta última quinta (29) de julho de 2021, sobre o ABC, no Maracanã, o melhor início de um técnico do Flamengo, o de cinco vitórias consecutivas de Cuca em 2009. O Flamengo voltou a ganhar por 6 x 0 no Maracanã, depois de 18 anos, quando goleou o Bahia, na noite de 7 de agosto de 2003.

50 ANOS DE ZICO – Os 6 x 0 sobre o ABC coincidiram com os 50 anos da estreia de Zico, na noite da quarta, 29 de julho de 1971, no Maracanã, com o passe para o meia Nei Oliveira fazer o gol da vitória (2 x 1) sobre o Vasco, na semifinal da Taça Guanabara. Aos 18 anos e ainda com mais dois anos para continuar no juvenil, Zico estreou com a camisa 9, na ponta-direita,  lançado pelo paraguaio Fleitas Solich, técnico do primeiro tricampeonato no Maracanã (53-54-55). 

COINCIDÊNCIA – Contratado depois de vencer o Brasil na final do Sul-Americano de 1953, em Lima, por 3 x 2, Solich era especialista em lançamento de jovens. No bicampeonato carioca em 54, Solich lançou Dida, maior artilheiro do Flamengo e ídolo de Zico, que ia vê-lo em todos os jogos no Maracanã. Na consagração do tricampeonato, em 1955, Dida fez três gols nos 4 x 1 da final com o América. Na Copa de 58, Pelé iniciou como reserva dele.

BOM LEMBRAR – O time da estreia de Zico, aos 18 anos, com a camisa 9 do Flamengo: Ubirajara, Murilo, Washington, Fred e Tinteiro; Liminha, Tales e Nei Oliveira; Zico, Fio Maravilha, que marcou o primeiro gol, e Rodrigues. No vestiário, alegre com a boa estreia, Zico agradeceu a Deus e aos seus amigos George Helal, de quem teve apoio do início ao fim da carreira, e ao narrador Celso Garcia, seu vizinho em Quintino, que o levou ao Flamengo.

6 x 0 NO ABC – Mesmo com o domínio desde o início, o Flamengo só fez o primeiro gol aos 28 minutos, com Arrascaeta completando boa jogada de Diego. Com assistência de Everton Ribeiro, aos 33, Gabriel marcou o segundo, e Bruno Henrique, o terceiro, aos 42. Depois do cruzamento de Arrascaeta, aos 45, Gabriel fez 4 x 0, com leve desvio de cabeça, tornando-se o nono artilheiro da Copa do Brasil, empatado com Evair, ex-Palmeiras, com 24 gols.

NA VOLTA DO INTERVALO, o Flamengo contou com o desvio do zagueiro Donato, que fez gol contra aos 31, ao desviar o cruzamento de Michael, que completou os 6 x 0 aos 39 minutos. A partir dos 11 minutos, quando fez três substituições simultâneas, Renato Gaúcho passou a poupar os titulares, visando o primeiro jogo de agosto, domingo (1), na Arena Corinthians. O lateral Renê saiu chorando ao ser substituído com um princípio de estiramento na coxa.

DIEGO ALVES, Isla, Bruno Viana, Leo Pereira e Renê (Rodinei); Willian Arão, Diego (Tiago Maia), Everton Ribeiro e Arrascaeta (Pedro); Gabriel (Vitinho) e Bruno Henrique (Michael) – o Flamengo, do técnico Renato Gaúcho, único brasileiro campeão da Libertadores como jogador e técnico, e já também campeão da Copa do Brasil como jogador do Flamengo e como técnico do Fluminense em 2007 e do Grêmio em 2016. 

RECORDISTA – Cinquenta e seis vezes campeão do Rio Grande do Norte, o ABC é o que tem mais títulos estaduais no Brasil e também o recordista mundial em uma mesma competição, em 96 anos, desde 1919. Fundado por um grupo de jovens da elite de Natal, em 29 de junho de 1915, o nome do clube foi aprovado por unanimidade, em homenagem ao pacto de amizade Argentina, Brasil e Chile, que ganhou a denominação de ABC, iniciais dos três países. O historiador norte-riograndense Luis da Câmara Cascudo criou a frase: “Numa cidade chamada Natal existe um povo chamado ABC”.

Foto: Futebol do Interior | Alexandre Vidal e Marcelo Cortes / CRF