A renovação do contrato do técnico Jorge Jesus com o Flamengo, confirmada ontem (2), estava dentro do esperado e foi boa para as partes, que desde o início conviveram em harmonia, desfrutando de resultados positivos, com exceção da final do Mundial de clubes. A renovação não foi como o Flamengo queria, até o fim de 2021, mas atendeu à pretensão do técnico, que ainda espera, no meio do ano que vem, voltar à Europa, onde o calendário começa e termina sempre entre junho e agosto.

A DIFERENÇA – Como a CBF já repetiu que não vai adaptar o calendário brasileiro ao europeu, era natural que o Flamengo quisesse a renovação até dezembro de 2021, evitando assim novo desgaste de negociações no meio do ano, como aconteceu agora em que as conversas se prolongaram por um mês. As partes hão de ter cedido: o clube, em reduzir o tempo de contrato em seis meses, e o técnico, em aceitar ganhar menos, entendendo o momento de acentuada queda das receitas do futebol.

SEM COTAÇÃO – Não é a primeira vez que faço referência à falta de cotação de Jorge Jesus no mercado europeu, sempre me baseando em que os únicos realmente grandes que dirigiu foram o Benfica, com três títulos nacionais, e o Sporting, em que não foi campeão. Pouco para um técnico de quase 66 anos, que completará em julho, que desde 89-90 assumiu equipes sem expressão – Amora, Felgueiras, União da Madeira, Estrela da Amadora – e só em 2006-08 treinou o médio Belenenses.

NEM PORTUGAL – Nem mesmo o Benfica, em que foi campeão nacional em 2009-10, 2013-14 e 2014-15, lembra de Jorge Jesus, a julgar pelo que disse o presidente Luis Filipe Vieira, que desconversou e foi objetivo: “Campeão ou não, Bruno Lage segue como nosso técnico em 2020-21”. Benfica, vice-líder, volta amanhã (4) ao campeonato, que recomeça hoje (3) com o líder Porto visitando o Famalicão. Jorge Jesus nunca foi cogitado pelo Porto. Essa é uma de suas grandes frustrações no futebol.

NAS FÉRIAS de maio em Lisboa, nenhum clube, de Portugal ou de qualquer outro centro europeu de referência, fez contato com Jorge Jesus. Não fossem poucas matérias nos jornais esportivos, ele teria ficado incógnito na capital portuguesa, onde se restringiu à recatada vida familiar, que sempre preservou e deu valor. Agora, é a retomada no Flamengo, com chances de novos títulos, que não chegarão a garantir o interesse de um clube realmente grande fora de Portugal.

BOM DIZER – Alguns rubro-negros continuam, como eles próprios já me disseram, “entalados” com o jogo no Qatar. Até hoje não entendem, como o time tão ofensivo, que ganhou com sobras e com antecedência o Brasileiro e teve forças na virada da Libertadores, foi tão medroso na final com o Liverpool, sem exigir sequer uma defesa difícil do goleiro do Liverpool. Bem diferente do time de 81, que fez 3 x 0 em menos de meia hora e já saiu para o intervalo como campeão do mundo. 

BOM LEMBRAR – O Rio de Janeiro registrou nas últimas 24 horas, 2.202 casos de contaminação e 224 mortes, elevando para 56.732 casos e 5.686 mortes, conforme o último boletim da noite de ontem (2). O prefeito abandonou a saúde da cidade, não cuida da limpeza e da segurança, e faz pouco caso do isolamento social, continua apoiando a volta do futebol, pondo outras vidas em risco. É preciso ter pouca vergonha na cara para votar de novo nesse prefeito. 

Foto: Divulgação/Conmebol