O Flamengo faz nesta quinta (24) a última tentativa para convencer a CBF a adiar o jogo do próximo domingo (27) com o Palmeiras, no Allianz Parque, em São Paulo, pela décima segunda rodada do Campeonato Brasileiro. O argumento do clube para que o jogo não se realize, está baseado em que “o adiamento é questão de saúde pública, em virtude de 11 jogadores e o técnico estarem infectados”. Depois de confirmar o jogo, a CBF admitiu rever o problema e ficou de dar a decisão final.

O PEDIDO do Flamengo, no momento em que volta a crescer o surto da pandemia no Rio, conflita com o interesse bem claro em defesa do retorno imediato do público aos estádios nos jogos do Campeonato Brasileiro. Foi assim em março, quando o clube mandou uma delegação a Brasília pedir a intercessão do governo federal na Prefeitura do Rio, a fim de que o campeonato estadual fosse reiniciado, mesmo com a posição contrária das autoridades sanitárias do governo do estado.

OS NÚMEROS do crescimento dos casos do novo coronavírus no Rio de Janeiro, para os quais o próprio Flamengo está contribuindo, com vários de seus profissionais infectados, e que o leva a pedir o adiamento de um jogo marcado para as próximas 72 horas, demonstram com clareza a indecisão do clube. O Flamengo que deveria ter defendido a saúde desde o início, a fim de evitar o aumento do problema, mostra-se agora bem diferente, pensando e agindo de outra forma.

QUAL É O FLAMENGO em que se deve acreditar: no que quer transferir um jogo para preservar a saúde de seus profissionais ou no que defende a volta dos torcedores aos estádios, como se posicionou desde quando o problema estava mais agudo? Coerência e bom-senso estão ficando cada vez mais distantes da sensatez e do equilíbrio. 

Imagem: Tocedores