O FLAMENGO NÃO APROVEITOU O PRIMEIRO DOS JOGOS ADIADOS, cedeu o empate, após fazer 2 x 0, perdeu de novo a vice-liderança, e pode voltar a ter menos 12 pontos que o Atlético, se o líder vencer o Grêmio, em seu único jogo remarcado, na noite de hoje (3), no Mineirão. Como sábado (30), no Maracanã, o Flamengo recuou muito para garantir a vantagem, só que ontem (2), na Arena da Baixada, o Athletico Paranaense pressionou mais e fez 2 x 2 nos acréscimos.

EMBORA O ATHLETICO TENHA TIDO INÍCIO MAIS AGRESSIVO, o Flamengo soube equilibrar o jogo e conseguir 2 x 0 em 12 minutos, deixando seu artilheiro Gabriel, há nove jogos sem marcar, a um gol de comemorar os 100 gols, desde a estreia, em 23 de janeiro de 2019. O primeiro foi de pé direito, aos 17, após o goleiro Santos rebater chute de Vitinho, e o segundo, de pé esquerdo, aos 29, encobrindo com categoria o goleiro, que errou ao repor a bola nos pés do lateral Isla.

ERA NATURAL QUE O ATHLETICO VOLTASSE COM TUDO do intervalo, prendendo o Flamengo no próprio campo. O apoio dos quase 20 mil torcedores (15.193 pagantes) contagiou o time, que diminuiu aos 18 minutos, com o gol de Kayzer, após o goleiro Diego Alves rebater chute de Nikão. O assistente Alessandro Matos acenou impedimento e o árbitro Marielson Silva anulou, mas, depois de breve revisão na tela VAR, confirmou o gol. Com acerto.

O ÂNIMO DA EQUIPE CRESCEU E O APOIO DA TORCIDA AUMENTOU. David Terans conseguiu a virada em dois minutos, com um gol de cabeça, mas dessa vez o assistente acertou, ao acenar o impedimento claro do atacante uruguaio. Embora meio descontrolada, a equipe do Athletico ainda criou jogadas e ficou perto do empate, aos 42, quando Kayzer encobriu Diego Alves, em saída precipitada, deixando o gol aberto, mas a bola passou junto da trave esquerda.

COM MAIS SEIS MINUTOS DE ACRÉSCIMOS, O FLAMENGO tirou Everton Ribeiro e Michael, aos 48, reforçando a defesa com João Gomes e Bruno Viana, 10 minutos após substituir Isla e Andreas por Mateuzinho e Rodinei, aos 38. O time voltou a atacar, mas sofreu contra-ataque, em que foi salvo por Diego Alves, com boa defesa no ângulo. Na cobrança do escanteio de Nikão, de pé trocado da direita, o goleiro falhou ao sair, e Bissoli fez de cabeça o gol do empate aos 49. O Flamengo ainda tentou, e Gustavo Henrique chegou a cabecear no travessão, aos 51, um minuto antes do apito final. 

BOM LEMBRAR – No primeiro jogo da semifinal da Copa do Brasil, o Flamengo fez 1 x 0, gol de Tiago Maia, e o Athletico Paranaense virou na volta do intervalo com os gols de cabeça de Pedro Henrique e Renato Kayzer. Só nos acréscimos, de pênalti, Pedro livrou o Flamengo da derrota. Mesmo sem a vantagem do gol fora de casa, ficou a impressão de que o 2 x 2 havia sido bom, com a decisão da vaga no Maracanã, mas o restante da história, todos conhecem.

A EXPULSÃO – O árbitro já havia advertido com cartão amarelo o uruguaio David Terans, logo aos 4 minutos, por falta dura em Gabriel; Tiago Heleno, aos 20, por falta em Michael, e Leo Pereira, aos 27, por falta dura em Terans. O Flamengo já vencia por 2 x 0, e a tensão dos jogadores do Athletico aumentou. Aos 31, o árbitro expulsou Renato Kayzer, que atingiu Leo Pereira com pontapé, por trás. Chamado pelo VAR, só advertiu, substituindo o vermelho pelo amarelo.

MARIELSON ALVES SILVA formou-se em 2002, em curso da Federação Baiana de Futebol, em parceria com a Universidade Católica de Salvador. É do quadro da CBF desde 2009 e ganhou o prêmio de melhor árbitro do Campeonato Baiano em 2012 e 2017. Natural de Vitória da Conquista, terceira maior cidade do estado, é taurino de 14 de maio de 82, e aos 39 anos, o seu conceito é de futuro árbitro FIFA. A meu juízo, errou em não manter a expulsão.

ATHLETICO 2 x 2 FLAMENGO, no gramado artificial da Arena da Baixada, registrou 23 faltas (15 do Flamengo); 6 cartões amarelos (2 do Flamengo); 10 escanteios (7 do Athletico); 13 finalizações do Flamengo, 6 na direção do gol; 21 do Athletico, 5 na direção do gol; 406 passes do Athletico, com 78% de precisão; 311 passes do Flamengo, com 72% de precisão; posse de bola, 58% do Athletico, 42% do Flamengo. Clima 100% tenso no final: gritaria, xingamentos, ameaças, empurrões, até próximo da entrada dos vestiários. Em resumo, baixaria de pessoas, que deveriam ter educação.

Foto: O Tempo