Na noite em que superou seu próprio recorde de público, o Flamengo falhou nos pênaltis e perdeu a vaga nas semifinais da Copa do Brasil, depois de repetir o 1 x 1 do jogo de ida em Curitiba, em que também saiu na frente do placar. A eliminação abateu muito os quase 70 mil torcedores, que deixaram o Maracanã decepcionados com a atuação do time, que passou a ter o ataque mais positivo do Brasileirão 2019, depois do impiedoso 6 x 1 sobre o Goiás no último último (14).

SEM CONFIANÇA – Mesmo com o time ficando mais tempo no campo do adversário, não passou confiança aos torcedores, que se mostraram bem apreensivos antes mesmo que o primeiro tempo terminasse 0 x 0. A bem da verdade, o Flamengo criou poucas chances e as duas mais claras estiveram nos pés de Lincolon – escalado porque Bruno Henrique sentiu o tornozelo horas antes -, que acertou a trave e depois viu o goleiro defender sua boa finalização da entrada da área. 

SENTIU E SAIU – Arrascaeta fez falta ao sair aos 41 minutos, quando levou a mão à coxa. Estava bem, até ajudando nos desarmes, e criando sempre com inteligência, como no lance em que Everton Ribeiro obrigou o goleiro à defesa mais difícil, em cabeçada quase na pequena área. Desde o jogo em Curitiba e como na goleada sobre o Goiás, o meia uruguaio mostrou-se uma referência na produção do time. Quando saiu, sobrecarregou Everton Ribeiro, que não teve como evitar mostrar o desgaste.

OS GOLS – Na volta do intervalo, o Flamengo chegou ao gol aos 17 minutos, em uma das poucas boas jogadas de Vitinho, que driblou o marcador e cruzou para Everton Ribeiro ajeitar de cabeça para Gabriel se antecipar ao zagueiro e marcar com leve desvio de pé esquerdo. O Atlético cresceu com a entrada domeia Bruno Nazário, e foi dele o lançamento vertical primoroso para a corrida de Rony empatar na saída do goleiro e comemorar o gol, aos 32 minutos, com dois saltos mortais. Se houve um time que merecesse o segundo gol, foi o do Atlético, que terminu o jogo mais inteiro e bem melhor em campo.

AS COBRANÇAS – O meia Diego, capitão do Flamengo, iniciou muito mal as cobranças. De pé direito, no alto e no meio do gol, facilitou a defesa. O lateralJonathan converteu, mas o goleiro chegou a tocar na bola. Vitinho perdeu a segunda cobrança do Flamengo, com chute por cima da trave. Lucho Gonzalez fez 2 x 0, com o goleiro do Flamengo voltando a tocar na bola. Cuellar foi o único do Flamengo a converter. Diego Alves defendeu a cobrança do canhoto Bruno Nazário, e Everton Ribeiro, bisonho, bateu mal no canto esquerdo e Santos – bom goleiro – defendeu. O meia carioca Bruno Guimarães fez 3 x 1 e eliminou o Flamengo.

PROVOCAÇÃO -Enquanto os jogadores do Flamengo, cabisbaixos e em silêncio, saíam para o vestiário, os do Atlético fazia a festa com provocação em dose dupla. Vários abriram os braços, mostrando os músculos, ironizando Gabriel quando o atacante comemora seus gols. Depois, aumentaram o tom da provocação, passando o dorso da mão pelo nariz, em alusão ao cheirinho da Copa do Brasil…

OS SEMIFINALISTAS – Santos, Jonathan, Leo Pereira, Robson e Marcio Azevedo (Lucho Gonzalez, 43 do segundo tempo); Wellington, Bruno Guimarães e Nikão (Bruno Nazário, 24 do segundo tempo); Marcelo Cirino (Vítor, 39 do segundo tempo), Rony e Marco Ruben. O Atlético tenta o primeiro título da Copa do Brasil e vai disputar a semifinal pela primeira vez. O técnico Tiago Santos, gaúcho de 39 anos, apesar dos cabelos brancos, prevê muita dificuldade para eliminar o Grêmio e chegar à final.

FLAMENGO – Diego Alves, Rafinha (Rodinei, 42 do segundo tempo), Leo Duarte, Rodrigo Caio e Renê; Cuellar, Everton Ribeiro, Diego e Arrascaeta (Vitinho, 41 do primeiro tempo); Gabriel e Lincolon (Berrío, 13 do segundo tempo). Não há tempo para lamentar: o Flamengo retoma o Brasileirão no próximo domingo (21), em outro jogo complicado com o Corinthians. O jogo dos campeões paulista e carioca, com certeza com a Arena Corinthians outra vez lotada.

O FLAMENGO perdeu a chance de participar pela sexta vez das semifinais, que disputou em 89, 93, 96, 2014 e 2018. Foi três vezes campeão, em 90 (invicto), 2006 e 2013, e vice em 97, 2003, 2004 e 2017.
QUATRO CARTÕES – Wilton Sampaio, da Federação Goiana e da Fifa, controlou bem o jogo, evitando que se tornasse ainda mais tenso pelo nervosismo. Mostrou cartões amarelos para Rony, por falta em Rafinha aos 24, e Renê, aos 27, por falta em Marcio Azevedo. Depois que encerrou o primeiro tempo, um amarelo para Gabriel, que o seguiu e ficou reclamando. No segundo tempo, o único cartão foi para Bruno Guimarães, por falta em Vitinho. Atuação segura do árbitro de 37 anos.

O NOVO RECORDE – O jogo da noite de ontem (17), no Maracanã, registrou R$4.106.610,40. O novo recorde de público pagante é de 64.884, com diferença de 3.308 pagantes, do recorde anterior – Flamengo x Peñarol -, com 61.576 pagantes. No total de público – pagante e não pagante -, Flamengo x Atlético Paranaense teve 69.980, mais 3.264 que Flamengo x Peñarol, com 66.716. Como gostava de dizer meu saudoso amigo rubro-negro Celso Garcia, um dos grandes narradores com quem trabalhei no rádio, “o Flamengo é o trem pagador do futebol”.