O Flamengo viu a liderança do Brasileiro de 2020 escapar, ao ser goleado (4 x 1 de virada) pelo São Paulo, neste primeiro domingo (1) de novembro, no Maracanã, a duas semanas do seu aniversário de 122 anos. O goleiro Tiago Volpi, destaque do jogo, defendeu pênaltis de Bruno Henrique e Pedro, e fez o lançamento para Luciano fechar a goleada, na melhor exibição do São Paulo em sua oitava vitória, terceira como visitante. O Flamengo não ganha do São Paulo desde 2017.

GRANDE JOGO – Antes de tudo, é bom ressaltar: Flamengo e São Paulo fizeram grande jogo, com os dois primeiros gols em apenas 10 minutos. Pedro marcou o do Flamengo, aos 7, com chute forte de canhota da entrada da área, no canto direito, após belo drible em Bruno Alves. O volante Tchê Tchê, atuando na lateral, devido à contusão de Igor Vinícius, empatou aos 17, com chute colocado no ângulo direito, e Brenner fez 2 x 1 aos 45, após cruzamento de Reinaldo, que Gustavo Henrique cortou muito mal.

PRIMEIRO PÊNALTI – Entre os dois gols do São Paulo, o Flamengo não aproveitou o primeiro pênalti, de Diego em Everton Ribeiro, derrubado com o braço direito pelo zagueiro do São Paulo. O árbitro mandou o jogo seguir, e só marcou depois de chamado pelo VAR, e de ficar três minutos vendo na tela para se convencer de lance tão claro. Cobrado aos 29, o pênalti foi defendido por Tiago Volpi em chute nem tão forte de Bruno Henrique do seu lado direito.

BEM MELHOR – O São Paulo voltou ainda bem melhor do intervalo, aumentando a pegada e acuando o Flamengo no próprio campo, e fez 3 x 1 aos 14, com o lateral Reinaldo deslocando o goleiro Hugo, que caiu para a esquerda, na cobrança de pênalti tão claro de Gustavo Henrique em Bruno Alves, que o árbitro, a três metros lance, marcou sem precisar do VAR. Minutos antes, o bom goleiro do Flamengo havia feito duas grandes defesas, em chutes colocados de Gabriel Sara, aos 3, e de Reinaldo, aos 7.

SEGUNDO PÊNALTI – O Flamengo teve a chance de reduzir a vantagem de dois gols e até de iniciar a reação para empatar, mas não aproveitou o segundo pênalti, de Daniel Alves em Gerson, aos 16 minutos, quando o meia do Flamengo foi derrubado quase em cima da linha de fundo. O árbitro estava bem colocado e outra vez não precisou do VAR para marcar o pênalti. Pedro fez cobrança igual à de Bruno Henrique, visando o canto direito, e o goleiro saltou bem para defender o chute rasteiro.

LANÇAMENTO – Depois de defender dois pênaltis, Tiago Volpi ainda ampliou a participação especial na goleada do São Paulo, ao fazer o lançamento para Luciano, aos 37, marcar o quarto gol, na saída do goleiro Hugo, que fechou o canto esquerdo, e ele concluiu no direito. O Flamengo sentiu bem, teve que diminuir o ritmo, e o São Paulo fez o tempo passar até o apito final de Caio Augusto Vieira, da Federação do Rio Grande do Norte, que teve boa atuação, mas precisa conversar menos e evitar gestos.

FLAMENGO – Hugo, Isla, Gustavo Henrique, Natan (Leo Pereira) e Filipe Luis; João Gomes, Gerson, Everton Ribeiro (Lincoln) e Vitinho (Michael); Pedro e Bruno Henrique. O técnico espanhol Domènec Torrent resumiu a derrota como dolorosa e não gostou de algumas perguntas na entrevista coletiva, principalmente sobre as falhas da defesa: “Quando se perde, os erros apagam os méritos. O Flamengo perdeu, mas não jogou tão mal para merecer tantas críticas e tantas cobranças” – disse o técnico.

QUARTA DERROTA – O Flamengo sofreu a quarta derrota, única em que o time fez gol, desde que Torrent assumiu. A primeira, 1 x 0 para o Atlético Mineiro, na abertura do campeonato, no Maracanã; a segunda, no primeiro jogo fora de casa, 3 x 0 para o Atlético Goianiense segunda derrota consecutiva , no Estádio Olímpico de Goiânia; a terceira, de todas a mais contundente, 5 x 0 para o Independiente del Valle, maior goleada que o Flamengo sofreu na Libertadores, e os 4 x 1 para o São Paulo.

SÓ UMA VITÓRIA – Dos times que terminaram no G4, o Flamengo só ganhou (2 x 1) do Fluminense; perdeu (1 x 0) do Atlético Mineiro e do São Paulo (4 x 1), no Maracanã, e empatou (2 x 2) com o Internacional, em Porto Alegre. Com 35 pontos em 19 jogos – 10 vitórias, 5 empates, 4 derrotas, saldo de 8 gols (33 a 25) -, pode perder a vice-liderança e terminar o turno em terceiro, se o Atlético Mineiro, com 32 pontos, ganhar do Palmeiras, porque passaria a ter mais uma vitória (11 a 10) e terminaria líder, igualando o Internacional em pontos (35), mas com mais vitórias (11 a 10). O Atlético tem menos um jogo, em casa, com o Athletico Paranaense.

BOA CHANCE – O Flamengo terá que aproveitar a abertura do returno, no próximo domingo (8), no jogo com o Atlético, que o venceu (1 x 0) no Maracanã, na abertura do campeonato, para se manter no G4, evitando se distanciar das equipes que têm mostrado melhor desempenho na corrida pelo título de campeão brasileiro de 2020. Bom dizer: com os 4 x 1 de sua oitava vitória, o São Paulo também aumentou o saldo em 10 gols (24 a 14).

HOMENAGEM – Muito boa a ideia do meia Everton Ribeiro, que considero a referência do time do Flamengo, de incluir 00 na camisa 7 que usa, para homenagear o notável ator escocês Sean Connery, um de seus ídolos das telas, primeiro e o mais marcante James Bond do cinema. Entre os filmes, um dos preferidos do meia do Flamengo é Com 007 só se vive duas vezes, também pela interpretação do tema musical pela cantora Nancy Sinatra, filha de quem o sobrenome indica.

26 ANOS DEPOIS – Campeão de 2019, com 90 pontos, mais 16 que o Santos, vice com 74, além de mais seis vitórias (28 a 22), mais 26 gols marcados (86 a 60) e menos derrotas (4 a 8), o Flamengo está tentando repetir em 2020 o que só conseguiu uma única vez na história do Campeonato Brasileiro: ganhar dois títulos consecutivos, em 82-83. Tempo mais longo sem um título,  só o de 39 anos do Mundial de clubes, ganho pela única vez em 1981, de vez que em 2019 quebrou o jejum de 38 anos sem a Libertadores. Bom lembrar: o Flamengo já sofreu em 19 jogos do Brasileiro de 2020, o mesmo número de derrotas (4) dos 38 jogos do Brasileiro de 2019.

SÃO PAULO – Tiago Volpi, Tchê Tchê, Diego, Bruno Alves e Reinaldo (Leo); Luan, Daniel Alves, Gabriel Sara e Igor Gomes (Vítor Bueno); Brenner (Pablo) e Luciano. Técnico – Fernando Diniz. Terceira vitória como visitante, após 1 x 0 no Sport e 2 x 1 no Palmeiras. Quinto com 30 pontos em 16 jogos – 8 vitórias, 6 empates, 2 derrotas, saldo de 10 gols (24 a 14), o São Paulo pode ser o primeiro do turno, com 39 pontos, se vencer os jogos adiados com Goiás, Ceará e Botafogo, superando o Atlético Mineiro, que chegaria aos 38, se vencer o Palmeiras e o jogo adiado com o Athletico Paranaense.

CENA BONITA – Com certeza, a cena mais bonita da tarde deste primeiro domingo (1) de novembro no Maracanã foi o abraço afetuoso de Daniel Alves e Domènec Torrent, à margem do campo, pouco antes do início do jogo. O meia do São Paulo e o técnico do Flamengo estavam no Barcelona, quando Torrent era assistente de Guardiola. Então lateral, Daniel fez 391 jogos e 21 gols, entre 2008 e 2016, quando ganhou seis vezes o Campeonato Espanhol; três Ligas dos Campeões e três Mundiais de clubes.

DERROTA E DEMISSÃO – A última derrota do São Paulo para o Flamengo, no Brasileiro, foi em 2 de julho de 2017, no Maracanã, 2 x 0, gols de Guerrero e Diego, o que custou a demissão do técnico Rogerio Ceni. No returno, em 22 de outubro, no Morumbi, o São Paulo devolveu os 2 x 0, gols de Lucas Pratto e Hernanes, e desde então, quatro vitórias do São Paulo e dois empates. Em todo o Campeonato Brasileiro, o São Paulo ampliou a vantagem com os 4 x 1, com 25 vitórias, 18 vitórias do Flamengo e 19 empates. 

Foto: Facebook do São Paulo FC