Poucas vezes se viu o Flamengo tão recuado, diferente de sua tradicional caracteristica de time que ataca e persegue a vitória até o fim, quanto no jogo com o São Paulo, na tarde deste primeiro domingo (5) de maio, no estádio do Morumbi. Ao invés de querer ampliar o placar, após o gol do colombiano Orlando Berrio, logo aos sete minutos, recuou como time pequeno para manter a vantagem. Uma atuação medrosa e até covarde, sem a cara do Flamengo, que termina a rodada em nono lugar.

SETE CARTÕES – Algo que também chamou a atenção e causou estranheza nos observadores, entre os quais me incluo, foi o jogo duro e por vezes desleal de alguns jogadores do Flamengo, advertidos com sete cartões amarelos bem aplicados pelo árbitro Ricardo Marques Ribeiro, da Federação Mineira. Quatro da defesa – Rodinei, Rafael Santos, Trauco e Thuler -, dois do meio-campo – Ronaldo e Diego -, e o atacante Lincoln. O São Paulo ficou no primeiro cartão, logo aos quatro minutos, do zagueiro Anderson Martins em Diego. 

GROSSEIRA – A pior falta foi a que o zagueiro Thuler cometeu no grande círculo, aos 27 minutos, ao atingir a nuca de Pato, caindo sobre o meia do São Paulo, que foi parar no hospital para ressonância magnética da coluna. Ele ainda se sentou em campo, levando as mãos várias vezes ao pescoço, tentou se erguer, mas continuou com muita dor, até sair na maca para o vestiário e de lá para o hospital. Foi uma falta muito grosseira de Thuler, que merecia o cartão vermelho.

ABRAÇO AMIGO – Antes do jogo, Pato foi ao encontro de Abel Braga para um abraço amigo muito afetuoso. Ele é muito grato a Abel, seu primeiro técnico, desde que se tornou profissional em 2006, no Internacional. Juntos, ganharam o Mundial de clubes, em final inesquecível com o Barcelona. Antes de sair para o Milan, seu primeiro time na Europa, de 2007 a 2012, Pato fez 12 gols em 27 jogos pelo Inter e resume: “Abel foi mais que um técnico. Foi um grande orientador pessoal que tive”.

O MAIS LONGO – As muitas paralisações, a maioria provocada pelo antijogo do Flamengo, que simulou faltas e abusou da reposição da bola em jogo, procurando ganhar tempo o quanto pôde, levaram o árbitro a dar o mais longo dos acréscimos de um tempo no Brasileirão 2019. O segundo tempo teve oito minutos de tempo extra. O Flamengo acabou punido, aos 38, com o gol de Tchê Tchê, após o goleiro Cesar ter que dar rebote em cabeçada firme de Hernanes. R$1.988.361,00. 38.749 pagantes.

SÃO PAULO – Tiago Volpi, Walce, Anderson Martins (Hernanes), Bruno Alves e Reinaldo (Helinho); Hudson, Tchê Tchê e Liziero; Antony, Pato (Everton) e Toró. O técnico Cuca, reincidente em reclamações, foi punido com cartão amarelo aos 41 do segundo tempo. O São Paulo terminou a rodada em terceiro, igual em pontos (7) e vitórias (2), empate (1) e sem derrota, ao vice-lider Palmeiras e ao Santos, quarto, em desvantagem no saldo de gols.

FLAMENGO – Cesar, Rodinei, Thuler, Mateus Dantas (Rafael Santos) e Trauco; Hugo Moura, Pires da Mota, Ronaldo e Diego; Orlando Berrio (Lucas Silva) e Lincoln (Bruno Henrique). O Flamengo terminou a terceira rodada em nono com quatro pontos – 1 vitória, 1 empate, 1 derrota – e saldo de um gol (5 x 4). O próximo jogo será domingo (12), no Maracanã, com a Chapecoense. Após o empate com o São Paulo, o Flamengo seguiu para Montevidéu, onde terá a vantagem do empate no jogo de quarta (8) com o Peñarol para ser o primeiro do Grupo D nas oitavas de final da Libertadores.

Foto: Divulgação/CBF/Alan Moraci/AGIF