Hoje, 8 de maio de 2020, faz um ano e três meses da tragédia do Ninho do Urubu, onde morreram, sob responsabilidade única e exclusiva do Flamengo, dez jovens que se formavam na base do futebol do clube. Morreram dez, e por obra e graça do destino, três conseguiram se salvar da maior tragédia, em quase 125 anos de história do clube.

15 MESES DEPOIS – Passados quinze meses de uma tragédia que o tempo não será capaz de apagar, o Flamengo ignora outra, tão dolorosa quanto, vivida pelo país e o mundo, com o recorde de 610 mortes registradas nas últimas 24 horas no Brasil. Vivemos no oitavo país mais infectado do mundo pela pandemia do coronavírus, com 135.106, e 9.146 mortos.

O FLAMENGO, ainda assim, é dos que mais pressionam pela volta imediata do futebol, se não for o que mais pressiona. É uma posição estranha em tempos de caos. Estranha e insensível, uma semana após perder um funcionário de 40 anos no clube, e de ter, nas últimas horas, outros oito infectados, incluídos três de seus jogadores profissionais.

O FLAMENGO está vivendo em outro mundo. Ignora o colapso das redes pública e privada de saúde, com mais de 90% dos leitos ocupados. Ignora a Fiocruz, que recomenda o bloqueio total, como a situação exige: “Vamos evitar uma catástrofe humana de proporções inimagináveis”.

A Fiocruz não só recomenda, como também enfatiza: “O bloqueio pode ser necessário por até dois anos”. O Flamengo vive em outro mundo. Ignora, e quer que a bola volte a rolar. Ontem.

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