Depois da visita ao presidente, que mandou o prefeito subserviente reiniciar logo o futebol, mesmo na curva ascendente da pandemia, na cidade e no estado, enquanto os respiradores eram superfaturados e as obras dos hospitais de campanha não terminavam, o Flamengo há de estar trabalhando nos bastidores para que a final da Taça Rio seja com público, tornando ainda mais brilhante sua noite de festa, na comemoração do bicampeonato carioca, como franco e absoluto favorito do Fla-Flu.

RECORDE MUNDIAL – A quarta-feira, 8 de julho de 2020, entraria para a história do futebol, com o recorde mundial de primeira final sem público, no estádio em que, precisamente, os dois clubes decidiram, no domingo, 15 de dezembro de 1963, o então organizado e charmoso Campeonato Carioca, com nada mais nada menos que… 177.020 pagantes. Já lá se vão 57 anos, e é pouco provável que um jogo de times da mesma cidade, onde quer que a bola role no mundo, volte a ter tantos torcedores. 

PEQUENA DIFERENÇA – Fui testemunha, enquanto repórter da época de ouro, do futebol e do rádio, seis anos depois, da pequena diferença de 6.321 pagantes, na tarde de 31 de agosto de 1969, que fez do Brasil x Paraguai, das eliminatórias para a Copa de 70, o jogo com mais pagantes da história do Maracanã: 183.341. Hoje, tanto no Fla-Flu em que faltou gol, mas sobrou emoção até o fim, quanto no escasso 1 x 0, gol de Pelé, resta a saudade de espetáculos históricos, marcantes, inesquecíveis.

DESEQUILÍBRIO – Todos os que veem e analisam o futebol com os olhos da razão, não podem deixar de admitir o acentuado favoritismo do Flamengo, pelas individualidades e pela força coletiva. É bem flagrante, na fase atual, o desequilíbrio entre os times, demonstrado de forma clara pelos seus rendimentos e resultados. O Fluminense não faz gol há três jogos, dois com equipes de nível técnico bem inferior. É mais fácil acreditar em cegonha e em papai noel do que em milagre no futebol.

PREOCUPAÇÃO – Com o anúncio do início do Campeonato Brasileiro na primeira semana de agosto, convém lembrar que Fluminense, Botafogo e Vasco terão só mais um mês para equacionar seus tantos problemas e reforçar os times, a menos que o objetivo não vá além de evitar o rebaixamento. Os exemplos dos últimos anos têm sido assustadores, sobretudo à medida que a disputa entra na reta final. Não há tradição nem história que resista ao despreparo. É bom pensar, enquanto é tempo.VOLTANDO ao título, tema central desta matéria. Prefiro não acreditar que o Fla-Flu de quarta-feira será sem público. Se for, devo então admitir que a força do Flamengo, nos bastidores, já não é a mesma.

Foto: Uol Esporte