O Conselho de Administração do Flamengo criou comissão de inquérito para analisar e decidir sobre a situação do ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello, depois que ele disse ter “quase certeza” de que o incêndio que matou 10 jovens da base do futebol do clube, em 8 de fevereiro de 2019, não teria acontecido, se ele ainda estivesse no cargo. À comissão caberá decidir se Bandeira será suspenso por um ano ou expulso do quadro social do clube, tendência defendida pela maioria.

ELOGIOS – Sócio desde 1978 e membro do Conselho de Administração do clube, entre 2007 e 2009, Bandeira teve o apoio de rubro-negros notáveis, Zico à frente, e elegeu-se em 3/12/2012, com 1.414 votos, mais 500 votos que Patrícia Amorim (914), que tentava a reeleição. Cumpriu os triênios 2013-14-15 e 2016-17-18, ganhou prêmio de gestão e transparência, elogiado pelo New York Times como “exemplo de gestão eficiente e correta para o esporte brasileiro”

INJUSTO – Bandeira referiu-se à maior tragédia da história do clube, dizendo não saber o motivo do incêndio porque já não estava na presidência, e lamentou o que classificou de “acusação a inocentes de modo injusto”. Foi na administração dele a construção do Ninho do Urubu, de 2014 a 2016, um CT de referência, e nenhum presidente deu mais atenção ao futebol de base. O Flamengo esteve em 37 finais de 61 campeonatos e ganhou 24 títulos, sendo o clube que mais cedeu jogadores às seleções brasileiras, de sub-13 à sub-20.

PRESENTE – A atual diretoria tentou retroceder no caso do incêndio e incriminar Bandeira, mas ele, mesmo já fora do cargo, esteve presente às duas convocações da CPI da Assembleia Legislativa do Rio, posição não assumida pelo atual presidente, que depois de faltar à primeira reunião, prometeu ir à segunda, e também não compareceu. Rodolfo Landim relutou o quanto pôde a pagar a indenização, até a obrigação imposta pela justiça de R$10 mil/mês a cada família dos jovens mortos no incêndio.

BOM LEMBRAR – O ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello, formado em Administração de Empresas pela UFRJ e 35 anos no BNDES, onde chefiou o Departamento do Meio Ambiente, marcou sua gestão no Flamengo pela recuperação da credibilidade e profissionalização do clube. Ao assumir, em 2013, encontrou dívidas de R$750 milhões, que reduziu à metade ao fim do mandato, em 2017. 

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo