Na noite em que o quase falido Campeonato Carioca recomeçou, com Flamengo 3 x 0 Bangu, sob protesto de poucos torcedores com faixa no entorno do Maracanã, o Rio de Janeiro registrou o maior número de mortes pela Covid-19 em duas semanas e o governo do estado, muito pessimista, admitiu, constrangido, que espera o aumento de contágios por conta da flexibilização antecipada. Fernando Ferry, secretário estadual de Saúde, resumiu: “Temos que estar preparados para uma possível segunda onda”, ao inaugurar, com atraso, o Hospital de Campanha de São Gonçalo, com número de leitos bem abaixo do esperado.

GRANDE RISCO – Em Paris, integrantes do Comitê Científico da França, disseram que o país já está tomando todas as providências para a segunda onda do avanço da pandemia do novo coronavírus. As autoridades sanitárias francesas, baseando-se nos estudos e nas pesquisas que realizam, destacam: “O risco da Covid-19 vem, principalmente, da América”. Os franceses são claros ao afirmar que “o Brasil pouco se empenha em deter a doença porque seu próprio presidente a classificou como uma simples gripezinha”.

47.869 MORTES – Enquanto os dirigentes, irresponsáveis e inconsequentes, que pressionaram o presidente da República, que por sua vez deu ordem ao prefeito do Rio para antecipar a volta dos jogos, assistiam Flamengo 3 x 0 Bangu, o Brasil, em novo avanço galopante, se aproximava de 1 milhão de casos de infecção (983.359, números do boletim da noite de ontem (18), com 23.050 novas mortes confirmadas, sendo 1.204 mortes nas últimas 24 horas. É de 47.869 o total de mortes no Brasil, segundo país do mundo em casos de infecção e de mortes.

RECORDE DO RIO – O Rio de Janeiro, com a flexibilização antecipada, irresponsável e inconsequente, os casos continuam a aumentar de modo assustador. O último boletim da noite de ontem (18) revela 87.317 casos de infecção e 8.412 mortes, com 354 novos casos e 274 mortes nas últimas 24 horas. As autoridades dizem que se o Rio de Janeiro fosse um país, estaria em décimo nono lugar entre os mais infectados.

PRISÃO IMPEDIU – O prefeito do Rio, subserviente e bajulador, com a imagem desgastada e o repúdio da população pelo abandono da cidade, disse que “o Maracanã não ficará vazio porque o presidente da República estará presente”. Entretanto, irritado e transtornado com a prisão do ex-policial Fabrício Queiroz, assessor de seu filho até 2018, o presidente não saiu de Brasília, onde demitiu o ministro da Educação, que nomeou representante do Brasil no Banco Mundial em Washington.

FLAMENGO 3 x 0 – Com o gol do uruguaio Arrascaeta, no primeiro tempo, e os gols de Bruno Henrique e do estreante Pedro Rocha, no segundo tempo, o Flamengo se classificou para a fase final da Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca, ao vencer (3 x 0) o Bangu, que pouco passou do meio do campo e não exigiu defesa do goleiro Diego Alves. O Flamengo voltou ao Maracanã três meses após vencer (2 x 1) a Portuguesa, no sábado, 15 de março.

PEDIDO NEGADO – O presidente Marcelo Jucá, do Tribunal de Justiça Desportiva, indeferiu o recurso do Fluminense e do Botafogo, que pretendiam só voltar a jogar em julho. Ele justificou: “Mesmo considerando que há fundamento jurídico razoável no pedido dos dois clubes, não é possível pesar mais que a vontade da maioria”. Os jogos do Fluminense estão marcados para segunda (22), às 20 horas, com o Volta Redonda, e quinta (23) com o Macaé, ambos no Maracanã.

AMEAÇA DE MULTA – O Tribunal de Justiça Desportiva decidiu também que “o Botafogo está obrigado a colocar o estádio Nilton Santos em condições para o jogo de segunda-feira (22), às 17h30m, com a Cabofriense, sob pena de multa de 100 mil reais”. Na noite de ontem (18), no entorno do Maracanã, torcedores exibiram cartazes pelos 70 anos do Maracanã e só uma faixa teve conotação política: Fora, Bolsonaro! Chega de mortes!

Fotos: Goal.com, Gazeta Esportiva, SuperEsportes, Alexandre Vidal / Flamengo