Com os 4 x 0 sobre o Resende, na tarde de ontem (8), no Maracanã, o Fluminense não apenas mostrou alguma evolução, mas aumentou a expectativa de uma esperança de reação na sequência da temporada. Foi o primeiro jogo em que o time teve atuação convincente, sem alternar o rendimento. Em alguns jogos, a produção caía quase sempre na volta do intervalo, mas diante do Resende, time de boa estrutura, o segundo tempo foi ainda melhor.

POSTURA – O Fluminense iniciou a goleada logo aos oito minutos, com bom cruzamento rasteiro do peruano Pacheco, que Wellington Silva, bem colocado, só precisou completar. Bom dizer que o time manteve a boa postura ofensiva no segundo tempo e em 23 minutos chegou à goleada, com os 2 x 0 de Marcos Paulo, de cabeça, depois que o goleiro Ranule deu rebote na cabeçada de Nenê. 

O NOME – Não só por ter chegado aos nove gols como titular em dez jogos, mas por saber aplicar bem a longa experiência, Nenê tem sido o nome de destaque do time. Converteu com a categoria habitual o pênalti de Zizu em Hudson, aos 15, e provocou outro rebote do goleiro, que Gilberto aproveitou bem para fechar a goleada aos 23 minutos. Depois dele, também é animadora a ascensão de Marcos Paulo, com cinco gols em quatro jogos.

A SEMANA – O Fluminense terá nos dois próximos jogos como mostrar que a evolução não é ilusória. Mesmo que o Figueirense não viva boa fase, como todos os demais times catarinenses, o jogo em Florianópolis é um parâmetro na Copa do Brasil. E o resultado da próxima quarta (11), em Florianópolis, poderá manter o curso favorável da equipe no clássico do próximo domingo (15) com o Vasco, em que a classificação às semifinais da Taça Rio poderá ser confirmada.

TORCEDORAS – A homenagem que o Fluminense prestou às tricolores, no Dia Internacional da Mulher, também valeu para recordar uma das histórias do futebol dos idos de 1919, ano da inauguração do estádio das Laranjeiras, então com 18 mil lugares, para o primeiro Campeonato Sul-Americano. Foi Henrique Coelho Neto – 1864 – 1934 -, escritor notável, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, que lançou o termo torcedor no futebol.

PAI DE PREGUINHO – 1905 – 1979 –, atleta símbolo do Fluminense – capitão e autor do primeiro gol da seleção brasileira em Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai, Coelho Neto escreveu na Gazeta da Tarde: “As elegantes senhoras, durante os jogos nas Laranjeiras, tiram as luvas e as torcem, para reduzir o suor das mãos”. O termo torcer vem do latim torquere. Sem querer, Coelho Neto criou torcedor, torcida, no futebol. 

JAIR MARINHO – O minuto de silêncio, que os tricolores respeitaram ontem (8), no Maracanã, reverenciou a memória de um profissional correto e dedicado. Jair Marinho, de 83 anos, foi um lateral-direito técnico, bom marcador e preciso nos cruzamentos, que vi no time Castilho, Jair Marinho, Pinheiro, Clóvis e Altair; Edmilson e Paulinho; Maurinho, Telê, Valdo e Escurinho, que Zezé Moreira comandou no título carioca de 1959. 

MUITO MAIS que os 258 jogos em que vestiu a camisa do Fluminense e foi do primeiro time carioca campeão invicto do Rio-São Paulo de 1957, depois de nove anos de domínio paulista, e de ter sido da única seleção brasileira, que ganhou duas Copas do Mundo consecutivas (58-62), Jair Marinho foi marcante como profissional exemplar. E acima de tudo, foi tricolor de coração, como no verso do hino do clube, que Lamartine Babo compôs.

Foto: Mailson Santana/Fluminense FC