Agindo com equilíbrio e lucidez, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro enviou determinação ontem (28) à Prefeitura e à Federação de Futebol para que sigam as diretrizes das autoridades municipais de saúde e só promovam a volta, mesmo sem público, dos jogos do Campeonato Carioca, quando deixar de existir a proibição. A decisão freia o retorno imediato, que em comum acordo, Flamengo e Vasco tentaram, ao pressionar o presidente da República, que por sua vez pressionou o prefeito do Rio.

3.293 MORTES – A medida do MP foi muita bem recebida, em um dia que o Rio de Janeiro registrou números de mortes – 4.856 – superior ao da China, país mais afetado no início da pandemia do novo coronavírus, em março. A capital do estado também voltou a ter aumento do número de mortes – 3.293 -, pelo terceiro dia consecutivo, assim como os municípios que fazem parte da região metropolitana. Duque de Caxias, com 220 mortes, e Nova Iguaçu, 159, além de Niterói (99). 

AGLOMERAÇÃO – O Ministério Público ressaltou ainda que o retorno imediato do futebol no Rio pode agravar a situação em que se encontra o município, na atual Situação de Emergência, por não haver dúvida da aglomeração de pessoas no entorno dos estádios, em dias de jogos, mesmo sem público. De acordo com o MP, as regras de isolamento social e de outras medidas preventivas à Covid-19 seriam descumpridas, “gerando grave risco à saúde e à própria vida de todos os torcedores”.

A NOTA DO MINISTÉRIO é recomendação da Segunda Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva e Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital. Em caso de descumprimento da Prefeitura e da Federação de Futebol, o Ministério Público recorrerá à instância superior. A nota é assinada pelo promotor Rodrigo Terra.

Foto: Diário do Turismo