O ex-ponta-direita Marinho, vice-campeão carioca e brasileiro de 1985, último convocado do Bangu para a seleção, deixa saudade nos amigos, entre os quais me incluo, que gostavam do seu futebol rápido, criativo e inteligente, com bons dribles em pouco espaço e gols que comemorou sempre com muita vibração. Ele morreu de infecção no pâncreas, nesta segunda, 15 de junho de 2020, aos 63 anos, em Belo Horizonte, onde nasceu em 23 de maio de 1957.

DUAS DURAS PERDAS – O destino impôs a Marinho duas duras perdas. Aos 12 anos, em Belo Horizonte, viu a mãe, Irene, ser atropelada e morta por um carro, quando o levava ao treino da equipe de base do Atlético, que defendeu em 118 jogos, com 21 gols, e foi campeão mineiro em 1976.  Um mês depois, Marinho foi convocado para a seleção que disputou os Jogos Olímpicos do Canadá, onde também cobri suas atuações. Nas entrevistas com Zizinho, ídolo do Bangu nos anos 50, o técnico sempre o  elogiava. 

A MORTE DO FILHO Marlon, de 1 ano e 7 meses, afogado na piscina de sua casa, em fevereiro de 1988, enquanto concedia entrevista à televisão na sala, foi o outro golpe duro na vida de Marinho. Reanimado pelo amigo Bris Belga, que depois organizou jogo beneficente, o ex-atacante ainda conseguiu espaço no elenco do Botafogo, campeão carioca de 1989, participando de três dos 24 jogos, nos 1 x 1 com Flamengo e Volta Redonda, e nos 3 x 1 sobre o Olaria.

COBRI OS DOIS JOGOS de Marinho na seleção principal. Em 12 de março de 86, no amistoso com a Alemanha, que ganhou (2 x 0) do Brasil, no Waldstadion, em Frankfurt. Ele entrou no segundo tempo no lugar de Muller, mas Telê Santana não o escalou no amistoso de quatro dias depois, em Budapeste, onde o Brasil voltou a perder (3 x 0) para a Hungria, no Nepstadion. No segundo amistoso, Marinho fez o primeiro gol nos 3 x 0 na Finlândia – Oscar e Casagrande fizeram os outros gols -, em 17 de abril de 86, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, titular o jogo inteiro.

MARINHO CHEGOU em 1983 ao Bangu, que pagou 40 mil cruzeiros (moeda da época) ao América de Rio Preto e incluiu mais dois jogadores na transação. Nos dois anos seguintes, sempre em destaque nas atuações do time, foi vice-campeão carioca, perdendo a final (2 x 1, de virada para o Fluminense) em que o Bangu seria campeão com o empate, mas foi prejudicado pela arbitragem, e vice-campeão brasileiro, vencido pelo Coritiba, nos pênaltis, diante de 95 mil torcedores no Maracanã.

Entristece-me, e não é pouco, registrar a morte de Marinho, amigo também do meu filho Fábio, que sempre o incentivou muito. Que Deus dê muita luz ao seu espírito.

Fotos: Futblogdosamigos, R7 Esporte, Futebol do Interior, site Bagres da Bola, FutRio, divulgação e Estado de Minas.