A maior de todas as novidades, na penúltima convocação do ano para os amistosos de outubro, em Singapura, com Senegal e Nigéria, anunciada nesta sexta (20) pelo técnico Tite, não está em nenhum dos 23 jogadores. O gol de placa da CBF foi o convite a Bebeto, primeiro ex-jogador da seleção a chefiar uma delegação. A escolha só merece aplausos.

81 JOGOS, 37 GOLS – Desde a estreia, em 28 de abril de 85 à despedida, em 12 de julho de 98, Bebeto participou de 81 jogos – 54 vitórias, 10 derrotas, 17 empates -, foi campeão do mundo em 94 e vice em 98. Marcou 37 gols – três deles em cada uma das duas Copas -, e antes já se havia destacado, com 15 gols em 30 jogos, nas 19 vitórias da seleção olímpica.

GOL HISTÓRICO – Bebeto fez o gol decisivo do 1 x 0, no 4 de julho de 94, em que os Estados Unidos comemoravam os 218 anos de sua Independência, com o recorde de 84 mil torcedores no estádio de Stanford, cercado pelos parques mais verdes, que tanto me encantaram durante minha penúltima Copa como repórter de oito consecutivas.

Mas, o gol histórico de Bebeto seria mesmo o de cinco dias depois, no Cotton Bowl, em Dallas, diante de 63 mil torcedores, ao fazer 2 x 0 na Holanda, que reagiu, empatou, mas o Brasil ganhou (3 x 2) com o gol mais bonito que vi Branco marcar, em primorosa cobrança de falta, ajudado pelo desvio inteligente de Romário, sem tocar na bola.

EMBALA-NENÉM – O gol ganhou a denominação de embala-neném, depois que Bebeto foi comemorar na beira do campo, entre Romário e Mazinho, como se estivesse embalando uma criança nos braços. Era a homenagem ao filho Mateus, nascido dois dias antes (7/7/94). O gesto criativo de Bebeto passou a ser imitado no mundo por outros jogadores.

ALEGRA-ME registrar que meu amigo querido José Roberto Gama de Oliveira, o Bebeto, soteropolitano de 16 de fevereiro de 1964, hoje aos 55 anos, passado sempre presente no coração do torcedor, seja o primeiro ex-jogador da seleção a chefiar a delegação brasileira. É uma decisão inédita e inteligente, a provar que nem sempre a CBF só deve ser criticada.

DOIS DO FLAMENGO – Entre os 23, Rodrigo Caio e Gabriel, ausências que o Flamengo sentirá nos jogos com o Atlético Mineiro, em casa, e com o Atlético Paranaense, fora, em 9 e 13 de outubro. O zagueiro volta após a convocação para as eliminatórias da Copa de 2018, e o atacante, depois de ter integrado a seleção na Copa América em 2016.

SEM EXPLICAÇÃO – Faltou firmeza e personalidade ao técnico Tite, ao se desculpar aos presidentes do Flamengo e do Grêmio, que teve a volta de Everton e a primeira convocação do meia Mateus Henrique. Tanto quanto, ao dizer que convocou Gabriel“por ouvir falar, que o jogador disse que teria orgulho de voltar à seleção”.

NADA ACRESCENTAM – O primeiro jogo da história da seleção brasileira com Senegal, vice-campeão da Copa Africana de 2019, e o segundo com a Nigéria – Brasil 2 x 0, em 11/6/2013 -, nada acrescentam, além do interesse comercial, bem claro, ao se realizarem no estádio neutro de Singapura, um dos mais importantes centros financeiros do mundo.

OS 23 CONVOCADOS – Ederson, Weverton e o estreante Santos, um dos destaques da brilhante campanha do Atlético Paranaense, pela primeira vez campeão da Copa do Brasil. Seria bom que o técnico passasse a dar oportunidade por igual aos goleiros.

Daniel AlvesDaniloAlex Sandro e o estreante Renan Lodi, lateral que Tite deveria saber usar nos amistosos com a mesma competência que o técnico argentino Diego Simeone, do Atlético de Madrid, tem feito. Igual se espera com relação a Rodrigo Caio porque Tiago Silva e Marquinhos já não precisam de testes. Eder Militão, em baixa no Real Madrid.

Arthur e Philippe Coutinho, bem técnicos, com certeza confirmarão a titularidade. É preciso rever Casemiro, abusando de faltas graves. Fabinho pode melhorar a proteção dos zagueiros. Mateus Henrique é novidade e Paquetá ainda não aproveitou as chances.

Neymar e Gabriel pela primeira vez? Firmino e Gabriel Jesus podem ser opções, tanto quanto Richarlison, menos que Everton, mais inteligente e mais criativo.

Foto: Carta Piauí