O presidente do Tribunal de Disciplina da Confederação Sul-Americana, com sede no Paraguai, aceitou na noite de ontem (16) o pedido de adiamento da defesa do Fluminense para analisar os documentos da denúncia por uso de cocaína do goleiro Rodolfo, mas não abriu mão da suspensão preventiva do jogador. Os analistas com experiência em casos dessa natureza são unânimes em afirmar que a solução do problema poderá se arrastar por muitos meses.

MUITO GRAVE – A situação de Rodolfo é muito grave pela reincidência do goleiro no uso da droga, o que ele próprio assumiu mais de uma vez. O problema começou há sete anos, quando foi flagrado no exame antidoping e suspenso por trinta dias, pouco depois de estrear em 2012 no time principal do Atlético Paranaense. Teve o apoio integral do clube, que manteve o pagamento de seus salários e colocou psicólogos e advogado para ajudá-lo.

REINCIDENTE – Ao sair da clínica de reabilitação, paga pelo clube, Rodolfo mostrou não ter conseguido se livrar da dependência da droga. Reincidente, foi flagrado no segundo exame e suspenso por dois anos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que ainda abriu exceção para ajudá-lo, ao decidir que, se um ano provasse recuperação, seria liberado. Rodolfo fez novo esforço e em setembro de 2013 teve autorização para voltar a jogar.

PROMOÇÃO – Rodolfo voltou a contar com apoio integral e estímulo para que recomeçasse a carreira. Em 2014 foi integrado ao elenco sub-23 e promovido a capitão do time do Oeste, depois que o clube saiu de Itápolis para Barueri, também no interior de São Paulo. Os psicólogos do Atlético Paranaense revelaram que Rodolfo, em todos os contatos, referia-se muito aos dois filhos e que estava empenhado na reabilitação não só pela carreira, mas, principalmente, por eles.

FLUMINENSE – Em fevereiro de 2018, Rodolfo foi emprestado e em dezembro acertou de vez com o Fluminense, esperançoso de que voltaria a se firmar como goleiro. No início de 2019, com a saída de Julio Cesar para o Grêmio, sentiu que sua chance estava ainda mais aumentada, o que não aconteceu. Rodolfo está suspenso preventivamente e terá que esperar, não só pelo desfecho das reuniões nos tribunais, mas que sua autoconfiança na solução de problema tão grave possa recolocá-lo nos campos. Rodolfo Alves de Melo é de Santos, tem 28 anos, 1,89m, canhoto. Foi campeão paulista da Série A2 pela Ferroviária de Araraquara, em 2015, e da Taça Rio pelo Fluminense em 2018.

FOTO: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.