A derrota de Rogério Ceni não pode deixar de ser avaliada como irônica, pela falha do goleiro Hugo, que reconheceu e assumiu o erro, se lembrarmos que o técnico está na história dos grandes goleiros brasileiros, com títulos e recordes marcantes. Rogério teve um dia de treino, na véspera do jogo. Não era lícito que se esperasse mais do Flamengo, até melhor no primeiro tempo e com reação imediata, ao empatar no minuto seguinte ao do primeiro gol que sofreu logo na volta do intervalo.

INTENSIDADE – Na minha visão, o Flamengo teve mais intensidade no ritmo de jogo que o São Paulo e até criou chances mais claras, que não converteu pela pressa e pelos erros de finalização, bem comuns, em linhas gerais, nas equipes brasileiras. O Flamengo poderia, na pior das hipóteses, ter saído com o empate, mas, ainda assim, a diferença de um gol pode muito bem ser tirada no Morumbi. Quanto menos seja, a vitória simples para decidir nos pênaltis.

BEM AJUSTADA – É preciso também que se reconheça no São Paulo uma equipe bem ajustada, criativa, com boa marcação e fazendo a transição com muita velocidade. Não à toa, Brenner, artilheiro do time na temporada, com 17 gols em 27 jogos, já está no radar de alguns europeus, e o São Paulo, que não é exceção na crise econômica, dificilmente terá como mantê-lo. A bela assistência do meia Gabriel Sara para o gol que Brenner marcou com um minuto merece citação especial.

REENCONTRO – Depois do retorno ruim nos 4 x 0 do Mineirão, Gabriel, e não só pelo gol de empate na reação imediata, já se apresentou com mais desenvoltura. Natural que lhe tenha faltado fôlego para chegar ao final porque o ritmo só pode ser recuperado com a sequência. A parceria com o Bruno Henrique, participativo em bons ataques e preciso na assistência para o gol, tem tudo para ser bem retomada. Michael não foi bem, e Arrascaeta não mostrou condicionamento para render mais.

A FALTA MAIOR – O Flamengo se ressentiu da ausência dos laterais, principalmente de Filipe Luis, bom na marcação e no apoio.  Mateuzinho mostra tendência de evolução acentuada com o tempo, que também lhe dará a experiência. O miolo da zaga, sim, precisa de ajuste entre Gustavo Henrique e Leo Pereira, enquanto Rodrigo Caio – quanta demora – não retorna. Mas, nenhuma das faltas é maior que a de Everton Ribeiro. Vejo nele, sempre, o jogador mais lúcido do Flamengo.

A CÃIBRA – Sem culpa alguma no primeiro gol, Diego Alves poderia ter sido mais feliz no retorno, sem a cãibra, que o tirou de campo aos 8 minutos do segundo tempo. Meus amigos médicos me dizem que “a cãibra é uma contração muscular súbita, involuntária e dolorosa, de caráter transitório, geralmente causada por problemas vasculares, decorrentes de esforço excessivo ou do frio”. De acordo com os especialistas, “uma cãibra pode começar na atividade física, no repouso e durante o sono”.

DIEGO ALVES (Hugo), Mateuzinho, Gustavo Henrique, Leo Pereira e Renê; Arão, Gerson e Vitinho (Pedro Rocha); Bruno Henrique, Gabriel (Tiago Maia) e Michael (Arrascaeta) – o time da estreia de Rogério Ceni, que ainda não conseguiu ganhar do seu ex-time, desde que o enfrentou por outras equipes. Empatou dois e perdeu o quinto jogo. Na volta ao Maracanã, sábado (14), o Flamengo tem ajuste de contas com o Atlético Goianiense, após a derrota (3 x 0) do turno em Goiânia.

O SÉTIMO – Dez dias depois dos 4 x 1 do primeiro domingo de novembro, o São Paulo voltou ao Maracanã e carimbou a estreia de Rogério Ceni com os 2 x 1 da noite de ontem (11). Foi o sétimo jogo consecutivo em que o Flamengo não conseguiu ganhar do São Paulo: dois empates e a quinta vitória, segunda em dez dias. Ou o Flamengo muda a história na próxima quarta (18) ou sai do Morumbi dando adeus à Copa do Brasil, que ganhou três vezes, a última em 2013.

TIAGO VOLPI, Juanfran, Diego, Bruno Alves e Reinaldo; Luan, Daniel Alves, Gabriel Sara e Igor Gomes (Vitor Bueno); Luciano (Pablo) e Brenner (Leo) – o time do São Paulo não chega a ser um primor, mas é um modelo de organização em todos os setores. Como se costuma dizer, um time com a cara do técnico, entre os bons da nova geração. Fernando Diniz, de 46 anos, usa bem o estudo científico da mente e do comportamento, lições que aprendeu no curso de Psicologia da renomada Universidade paulista de São Marcos.

ARBITRAGEM – Gosto muito da postura de Anderson Luis Daronco, de 45 anos, árbitro da Federação Gaúcha e da FIFA. Seguro na marcação das faltas, correto na aplicação da lei da vantagem e bem condicionado fisicamente para acompanhar sempre de perto os lances, como o jogo exige. O nível disciplinar foi bom ponto de apoio que teve, tanto que só aplicou um cartão amarelo, no lateral Reinaldo, do São Paulo, nos acréscimos do primeiro tempo, por algo constante entre jogadores e técnicos: reclamação.

Foto: Esporte R7