Em postagem em seu perfil no Twitter, já com a logomarca da campanha “Orgulhoso de ser paraguaio”, o ex-goleiro José Luis Chilavert, de 55 anos, anunciou ontem (25) que concorrerá à presidência da República do Paraguai, nas eleições de 2023, com dois objetivos principais: acabar com a corrupção no país e dar melhores condições de vida ao povo. A ideia dele vem desde dezembro de 2004, quando encerrou a carreira, depois de 546 jogos e 62 gols, como um dos melhores da posição no mundo.

20 ANOS FORA – Chilavert formou-se na base do Sportivo Luqueño, do município de Luque, onde nasceu, tornando-se profissional aos 17 anos. Ganhou seu único título no Paraguai, o de campeão de 84, quando saiu para o San Lorenzo. O clube argentino não dispunha dos 120 mil dólares, mas os torcedores se cotizaram e bancaram a compra. Em 88 foi para o Zaragoza e fez três boas temporadas no Campeonato Espanhol: “Ganhei muita experiência” – resume o ex-goleiro.

AS FALTAS – Chilavert foi um dos goleiros precursores de cobranças de falta e assim fez o primeiro gol, em 93, pelo Velez Sarsfield, campeão argentino. Com liberdade do técnico Carlos Bianchi, maior jogador e artilheiro do clube, Chilavert marcou outros gols de falta na conquista da única Libertadores do Velez (1994), em finais dramáticas com o São Paulo (1 x 1 na Argentina e 1 x 1 Morumbi), em que ganhou o título nos pênaltis (5 x 3), ao defender a última cobrança de Palhinha.

O MUNDIAL – Depois do título argentino de 93 e da Libertadores de 94, impedindo o tri do São Paulo, Chilavert ganhou no Japão o terceiro título consecutivo no Velez, o de campeão mundial de clubes: 2 x 0 no Milan, campeão europeu, que tinha, entre outros notáveis, Rossi, Maldini, Baresi, Costacurta e Donadoni, sob o comando do bom técnico Fabio Capello. O ex-goleiro paraguaio resume as conquistas: “Nosso time não tinha estrelas, mas jogava com alma e coração”.

NA FRANÇA – Chilavert ainda ficou seis anos no Velez, antes de voltar à Europa em 2000 para duas temporadas no Racing, de Estrasburgo, onde ganhou a Copa da França de 2001. Retornou à América do Sul em 2002, e no ano seguinte foi campeão uruguaio no Peñarol (2003). Bem acima do peso, fez os últimos seis jogos da carreira em 2004 no Velez, que o reconhece como principal jogador da história de quase 111 anos, que o clube vai comemorar no próximo 1 de janeiro.

NA SELEÇÃO – Chilavert fez 74 jogos e 8 gols pela seleção. Em 98, mesmo com o Paraguai eliminado nas oitavas de final, ao perder (1 x 0) para a França, sua atuação lhe valeu o prêmio de melhor goleiro da Copa. Em 2002, não participou da estreia com a África do Sul, cumprindo suspensão, por ter cuspido na cara de Roberto Carlos, após o último jogo das eliminatórias, quando o lateral foi cumprimentá-lo. Sua despedida da Copa foi melancólica e até ganhou o apelido de Buda, devido ao excesso de peso.

Foto: A tribuna