Não há no Racing, adversário do Flamengo no mata-mata das oitavas, quem esconda a ansiedade pela volta do time à fase final da Libertadores, passados 53 anos da única conquista, quando também ganhou o Mundial de clubes de 1967. Entre os que mais se surpreenderam com a crítica dos jornalistas argentinos de que o sorteio não foi bom para a equipe, o técnico Sebastian Beccacece, de 39 anos, ex-lateral, resumiu: “O Racing vai mostrar nos dois jogos que não é inferior ao atual campeão”.

ALMA E CORAÇÃO – À frente de um grupo de 32 jogadores, em que só seis são estrangeiros, o técnico antecipa que “o Racing jogará com alma e coração, superando todos os problemas para chegar às quartas de final”. Sebastian Beccacece tem um goleiro experiente, Gabriel Arias, argentino de 33 anos, 1,88m, canhoto; um lateral rodado, Eugênio Mena, chileno de 32 anos, com passagens pelo Bahia, Santos, Cruzeiro, e bicampeão da Copa América 2015-16, e no atacante Lisandro Lopez, argentino de 37 anos, com boas atuações no Internacional, o ponto de equilíbrio e a referência como capitão da equipe. 

PRIMEIRO TRI – Fundado na quarta-feira, 25 de março de 1903, o Racing foi o primeiro tricampeão, em 49-50-51, e ganhou mais oito títulos nacionais, depois de nove vezes campeão no amadorismo. O estádio Juan Peron, em homenagem ao ex-presidente da República, torcedor que acompanhava o time, é também chamado de El Cilindro pelo seu formato e tem 51.839 lugares. O Racing é a quarta força do futebol argentino, depois do River, Boca e Independiente, o que mais ganhou a Libertadores (7).

GRANDES FIGURAS – A lista das grandes figuras da história do Racing começa com Guillermo Stabile- 1905 – 1966 , artilheiro da primeira Copa do Mundo, que a Argentina perdeu (4 x 2) para o Uruguai, em 1930, em Montevidéu. Stabille foi o técnico dos primeiros títulos do Racing, em 49-50-51, e o que comandou a equipe por mais tempo, durante 11 anos consecutivos. Outro excelente, Álfio Basile, hoje aos 76 anos, técnico campeão argentino, da Libertadores e do Mundial de clubes em 67. 

MARADONA DOS ANOS 60 – O talentoso meia canhoto Omar Sivori – 1935 – 2005 -, da seleção campeã sul-americana de 57, artilheiro do Campeonato Italiano de 60, com 27 gols pela Juventus, que defendeu em 235 jogos e marcou 135 gols, é outra figura marcante do Racing, último time que comandou como técnico em 1979. Sívori é lembrado como o Maradona dos anos 60. Outro notável que vestiu a camisa azul e branca do Racing, o ponta Corbatta, recordado como o Garrincha argentino.

DIEGO SIMEONE – Técnico de sucesso no Atlético de Madrid desde 2011, o ex-meia Diego Simeone, hoje aos 50 anos, está na galeria dos imortais do Racing, em que atuou na temporada 2005-06. Dois goleiros excepcionais também foram do Racing: Ubaldo Fillol, do primeiro título mundial da Argentina, na Copa de 78, e com 65 jogos pelo Flamengo (84-85), e Agustin Cejas, do Mundial de clubes 67; campeão paulista de 1973 pelo Santos, com 254 jogos, e o que mais vestiu a camisa do Racing, em 334 jogos.

SILVA BATUTA – Sempre lembrado pelos torcedores, o ex-atacante Silva Batuta – 1940 – 2020 – fez história no Racing, apesar de só ter disputado a temporada de 1969, em que marcou 18 gols em 28 jogos, tornando-se o único brasileiro artilheiro do Campeonato Argentino. Silva havia sido artilheiro do Flamengo, campeão carioca de 1965, ano do IV Centenário do Rio de Janeiro, e ao voltar, foi campeão carioca e artilheiro de 1970 do Vasco, que não ganhava o título desde 1958.

LAUTARO MARTINEZ – Entre os jogadores de sucesso mais recente, o atacante Lautaro Martinez, de 23 anos, que fez 27 gols em 61 jogos pelo Racing, e foi negociado em 2018 com a Inter de Milão, que já defendeu em 89 jogos, com 33 gols. 

UNIFORMES – O Racing tem no azul e branco as cores predominantes, base do uniforme número 1: meias e calções brancos, camisa com listras largas verticais em branco e azul celeste. O número 2 é composto por calção e meias pretas e camisa preta, e o número 3, por meias e calção azuis e a camisa azul. Bom dizer: nos dois anos em que o Racing esteve na Série B, a torcida bateu todos os recordes de público, em todas as divisões nacionais argentinas. No Brasil, Palmeiras e Grêmio são tratados como clubes-irmãos do Racing Club de Avellaneda.

Fotos: Futebol Latino, Perspectiva Online, Alchetron, Mercado do Futebol, Futebol Portenho, Folha Vitória, Esporte Fera.