Difícil acreditar que o Flamengo possa ter entrado em declínio tão acentuado, sofrendo duas derrotas e quatro gols, sem marcar nenhum, nos dois primeiros jogos de um campeonato que começou como favorito absoluto para terminar bicampeão. A derrota na estreia, com o lance infeliz do gol contra, pode entrar na conta do aceitável, diante de um adversário que mostrou evolução com o novo técnico, como confirmou na expressiva virada da noite de ontem (12) sobre o vice-campeão paulista.

COMPLICADO é explicar os 3 x 0 da segunda derrota para um time fraco, de volta à Série A com o único objetivo de evitar outro rebaixamento. E por mais que o retrospecto não entre em campo, justificar derrota tão contundente para adversário que nunca o havia vencido. O Atlético Goianiense, que fez 2 x 0, em 16 minutos, está abaixo, bem abaixo do grupo de equipes qualificadas do campeonato. O Flamengo tem um início triste e decepcionante, sobretudo pelo que se viu na noite de ontem (12).

DESDE 1997 o Flamengo não iniciava o Campeonato Brasileiro com duas derrotas consecutivas. O Flamengo terminou em sexto,  com menos 20 pontos que o Vasco campeão. Bom dizer também: as duas últimas derrotas consecutivas do Flamengo no Brasileiro foram em 2018: 1 x 0 para o Ceará, dia 2 de setembro, no Maracanã, com o time saindo muito vaiado, e 2 x 1 para o Internacional, três dias depois, no estádio Beira Rio.

MUITO FÁCIL – O Flamengo não conseguiu travar o início do Atlético, que poderia ter feito 1 x 0 aos nove minutos, quando Hyuri perdeu a chance na cara de Diego Alves. Mas a segunda chance, aos 16, depois do cruzamento de Gustavo Ferrareis, Hyuri não deixou passar. O segundo gol, que Jorginho marcou de fora da área, aos 32, foi muito longe do alcance do goleiro. O técnico do Flamengo alterou a defesa e expôs Rodrigo Caio, fora de posição, só corrigindo o erro no intervalo com a entrada de Rafinha.

SEXTO SEM GOL – Outra explicação difícil é a do declínio de Gabriel, artilheiro que completou seis jogos sem gol. O que perdeu, aos 33 minutos, na frente do goleiro, foi inacreditável. Tanto ele quanto Bruno Henrique, como naquele lance em que acertou a trave na estreia, precisam de uma recuperação rápida. Pedro não teve o poder de decisão que se esperava ao substituir Vitinho, bem apagado. Enfim, o Flamengo do Brasileiro de 2019 ainda não entrou em campo neste campeonato.

EXPULSÃO – Nada normal que das 34 faltas, 19 tenham sido feitas pelo Flamengo. Alguns jogadores demonstram irritação e o lateral Rafinha é um deles, como no lance da advertência com cartão. A expulsão de Diego Alves, aos 37 do segundo tempo, mostrou o outro lado de um goleiro tranquilo e eficiente, que ainda não havia sido visto agredindo, como na jogada com Mateus Vargas, em que o árbitro Luis Flavio Oliveira, da Federação Paulista e da FIFA, não tinha outra alternativa.

ATLÉTICO – Jean, Dudu (Moacir), Eder, Gilvan e Nicolas; Edson, Marlon Freitas, Everton Felipe e Jorginho (William); Gustavo Ferrareis (Chico) e Hyuri (Mateus Vargas). O técnico Vagner Mancini ganhou elogios de Filipe Luis, que foi seu lateral no início da carreira no Figueirense. Domingo (16), o Atlético volta ao estádio Olímpico de Goiânia para o jogo com o Sport, adversário de estreia do Vasco, na noite de hoje (13), em São Januário.

FLAMENGO – Diego Alves, Rodrigo Caio, Gustavo Henrique (Rafinha), Leo Pereira e Filipe Luis; Arão, Gerson e Everton Ribeiro (Arrascaeta); Vitinho (Pedro), Gabriel (Cesar) e Bruno Henrique. O técnico Domènec Torrent não demonstra conhecer bem o elenco de que dispõe. Ele foi consolado após a derrota pelo técnico do Atlético Goianiense. O terceiro jogo do Flamengo será sábado (15), em Curitiba, com o Coritiba, que também perdeu dois jogos sem fazer gol. Na estreia, 1 x 0 em casa para o Internacional e ontem (12) para o Bahia (1 x 0), em Salvador.

Foto: Emtempo CN