O primeiro domingo (4) de abril de 2021 ficará marcado na história de 90 anos do Campeonato Espanhol. Pela primeira vez, um time abandonou o jogo, depois de forte ofensa racial sofrida por um de seus jogadores. O zagueiro francês Mouctar Diakhaby,de 24 anos, do Valencia, disse ter sido chamado de “negro de merda” pelo zagueiro espanhol Juan Cala, de 31 anos, do Cadiz, e saiu de campo, aos 36 minutos do primeiro tempo, no que foi seguido ao vestiário pelos companheiros de equipe.

10 MINUTOS – O jogo estava 1 x 1, gols de Juan Cala, do Cadiz, aos 14, e Kevin Gameiro, do Valencia, aos 19, quando Juan Cala deu uma entrada dura em Diakhaby, que reclamou, foi empurrado e ofendido, embora o árbitro David Medié Jimenez, catalão de 36 anos, não tenha marcado falta. O jogador francês decidiu sair de campo, e em dez minutos, com a ação do técnico Javi Garcia, o Valencia voltou ao gramado, sem Diakhaby, substituído por Hugo Guillemón, zagueiro espanhol de 21 anos.

O ESCUDO – Imediatamente após a volta do time ao gramado, o Valencia postou mensagem em suas redes sociais, ressaltando que “decidimos reiniciar o jogo para mantermos nosso escudo, nossa história e o respeito ao campeonato”. Fundado em 1919, o Valencia CF completou 102 anos dia 18 de março, e tem seis títulos de campeão espanhol, o último em 2003-2004. Seu único técnico brasileiro foi o gaúcho Otto Bumbel – 1914 – 1998 -, em 1959-60. 

DESTAQUES – Nos anos 50-60, o Valencia teve dois destaques brasileiros, o meia Valter Marciano de Queirós, comprado do Vasco, e o atacante Waldo Machado da Silva, comprado do Fluminense, segundo maior artilheiro do Valencia, com 160 gols em 296 jogos. Depois deles, os campeões mundiais de 1994 Romário e Mazinho, e o mais recente, o goleiro Diego Alves. O argentino Mario Kempes, artilheiro da Copa do Mundo de 1978, é outro grande nome da história centenária do Valencia.

HISTÓRICO – O Cadiz venceu o Valencia (2 x 1), com o gol do zagueiro argentino Marcos Gutierrez, de 30 anos, aos 43 do segundo tempo, no Ramon de Carranza, estádio da cidade portuária de Cadiz, no Sul da Espanha, em homenagem ao almirante que foi duas vezes prefeito da cidade e era um dos mais ligados ao generalíssimo Francisco Franco – 1892 – 1975 -, ditador que comandou o país com mão de ferro, na mais dura fase da repressão militar na Espanha, no longo período de 1936 a 1973.

CAMPEÕES – Quatro times brasileiros foram vencedores do mais importante torneio de verão da Espanha, que reunia as equipes mais expressivas na disputa do Troféu Ramon de Carranza. O Palmeiras ganhou em 69 e 74, derrotando na final o Real Madrid, e em 75. O Flamengo venceu a final de 79 com o Ujpest, da Hungria, e a de 80 com o Betis. O Vasco, em 87, 88 e 89, com Cadiz, Atlético de Madrid e Nacional do Uruguai, e o Atlético Mineiro ganhou a única final brasileira, em 90, com o Santos. A final com mais gols foi de 92: São Paulo 4 x 0 Real Madrid. O Corinthians venceu a final de 1996 com o Betis. O torneio começou em 1955, e foi disputado pela última vez em 2018, sem equipe brasileira nas últimas nove edições. 

Foto: Trivela