A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância começa a ouvir hoje, terça-feira, 22 de dezembro de 2020, os depoimentos dos envolvidos no caso de injúria racial contra o jogador Gerson durante Flamengo 4 x 3 Bahia, anteontem (20), no Maracanã. Depois do próprio acusado, que disse ter ouvido a ofensa “Cala a boca, negro”, proferida pelo colombiano Juan Ramirez, a delegada Marcia Noeli convocará também o jogador do Bahia, o técnico Mano Menezes e o árbitro Flavio Rodrigues de Souza, da Federação Paulista.

UM MÊS – A previsão da delegada é de que o inquérito, instaurado ontem (21), um dia depois do ocorrido, esteja concluído em um mês, porém a doutora Marcia Noeli não antecipou se o anúncio da decisão final do caso será simultâneo. Desde logo, o advogado Guilherme Bellintani, de 40 anos, que acaba de ser reeleito presidente do Bahia para o segundo triênio, até 2023, antecipou: “Nosso atleta me disse que não falou nada do que o Gerson ouviu”.

DEMISSÃO – Depois de dizer que demitiu o técnico pelos maus resultados e não porque ele tenha apoiado o jogador, o presidente do Bahia ressaltou: “Já tive três conversas com o Ramirez, que em momento algum perdeu a calma e se diz bem tranquilo”. Bellintani resumiu: “Ainda temos muito o que aprender, mas nos sentimos bem preparados para resolver o problema”.

O QUE FOI DITO – O presidente do Bahia fez então a revelação mais importante: “Nosso jogador me disse, com muita firmeza, que ao passar pelo Gerson, falou: vamos jogar sério. Foi o que Ramirez me disse, e não posso deixar de acreditar na palavra dele, que tem se portado como um profissional correto e cumpridor desde que chegou ao clube”. Bom dizer: Juan Ramirez, colombiano de 23 anos, é meia-atacante do Nacional de Medellin, emprestado ao Bahia, que decidiu preservá-lo até que o inquérito esteja concluído.

Foto: NetFla