Com todos os méritos de uma campanha irretocável e brilhante, a Itália ganhou a Eurocopa pela segunda vez, 52 anos depois da primeira em 1968, e três anos depois de não conseguir classificação na repescagem para a Copa do Mundo de 2018, que deixou de disputar pela terceira vez, após ser a primeira bicampeã (34-38) e de ganhar quatro títulos. No bom trabalho do técnico Roberto Mancini, três brasileiros com nacionalidade italiana: Jorginho, Emerson e Rafael Toloi.

CORAGEM – Entre os méritos da seleção da Itália, que sofreu o gol da Inglaterra antes dos dois minutos da final de hoje (11), diante de 67.173 pagantes no estádio de Wembley, em Londres, a coragem. Uma equipe ofensiva, com excelente condicionamento fisico, futebol técnico de qualidade, muita aplicação tática e mentalmente bem preparada. Com certeza, grande concorrente a colocar a quinta estrela na camisa na Copa do Mundo de 2022 no Catar.

GOLS HISTÓRICOS – Os gols dos 120 minutos de Inglaterra 1 x 1 Itália, entraram para a história da Eurocopa. O ala canhoto Luke Shaw, de 25 anos, do Manchester United, marcou o gol mais rápido das finais da Eurocopa, ao completar o cruzamento do ala Trippier, aos 2 minutos. Ao empatar, aos 22 do segundo tempo, o zagueiro Leonardo Bonucci, da Juventus, em seu jogo 109 pela seleção, tornou-se o mais velho a fazer gol nas finais da Eurocopa, aos 34 anos e 71 dias.

DATA HISTÓRICA – Com a conquista da segunda Eurocopa, 11 de julho de 2021 é mais uma data histórica do calendário italiano. Hoje faz 121 anos que a Fiat, uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo, foi fundada em Turim, cidade da Juventus, em 11 de julho de 1899, e é também o aniversário de 87 anos do estilista Giorgio Armani, o mais bem-sucedido designer de moda do mundo, com fortuna superior a dez bilhões de dólares.

DO ZERO AO INFINITO – Ao assumir a seleção em setembro de 2018, o técnico Roberto Mancini disse aos jogadores: “Estamos iniciando um trabalho para recuperar o prestígio do futebol italiano, e antes da Copa de 2022, queremos a Eurocopa”. Hoje (11), depois da conquista, o capitão Giorgio Chiellini relembrou: “Cheguei a pensar que o Mancini sonhava ou estava louco, mas nem uma coisa nem outra. Ele é determinado e pensa positivo, é vencedor”.

TERCEIRA INVICTA – A Itália completou neste domingo (11), 34 jogos sem perder – 27 vitórias, 7 empates -, mantendo-se em terceiro lugar entre as seleções com mais jogos de invencibilidade no mundo. O Brasil ficou sem perder em 36 jogos, entre 93 e 96, sob o comando de Zagallo, e a Espanha, dirigida por Vicente Del Bosque, a segunda, em 35 jogos sem derrota, entre 2007 e 2009. A última derrota da Itália foi em 10/9/2018, em Lisboa, por 1 x 0, gol de André Silva, em jogo da Liga das Nações.

CAMPEÕES 2020 – Donnarumma, Di Lorenzo, Bonucci, Chiellini (cap) e Emerson (Florenzi); Barella (Cristante), Jorginho e Verratti (Locatelli); Chiesa (Bernardeschi), Ciro Immobille (Berardi) e Insigne (Belotti) – os italianos campeões da Eurocopa 2020, adiada para 2021, devido à pandemia. Donnarumma ganhou o prêmio de melhor goleiro e o ala Spinazzola, que rompeu o tendão de aquiles no jogo com a Bélgica, foi o primeiro a receber a medalha, apoiado em muleta, após bem-sucedido na cirurgia porque passou na Finlândia.

RÁPIDA E BONITA – A festa de premiação dos italianos foi bem rápida e muito bonita, com o presidente da União Europeia de Futebol (Uefa), Aleksander Ceferin, advogado esloveno de 53 anos, entregando as medalhas aos jogadores e a taça, com as fitas verde, vermelho e branco, cores da Bandeira Italiana, ao capitão Giorgio Chiellini. O que mais chorou foi Ciro Immobille, de 31 anos, da Lazio, chuteira de ouro da Europa 2019-2020, com 36 gols no Campeonato Italiano.

O CANHOTO – Nas cobranças de pênaltis, o  primeiro a converter foi o canhoto Domenico Berardi, atacante do modesto Sassuolo, oitavo do campeonato 2020-2021, e o outro canhoto foi Federico Bernardeschi, meia da Juventus. O zagueiro Bonucci também converteu, e as cobranças do atacante Andrea Belotti, do Torino, e do volante Jorginho, do inglês Chelsea, foram defendidas pelo goleiro Jordan Pickford.

AS LIÇÕES – Depois de seis temporadas no Milan, o goleiro Gianluigi Donnaruma, de 22 anos, 1,96m, foi contratado pelo PSG e terá a proteção dos zagueiros Marquinhos, titular da seleção brasileira, e Sergio Ramos, também estreante na França em 2021-2022, após 16 temporadas no Real Madrid. Donnarumma lembrou das lições que teve de Dida, goleiro da última Copa que o Brasil ganhou em 2002: ” Foi meu melhor treinador”. 

SEDE ÚNICA – A Eurocopa 2020, transferida para 2021, devido à pandemia, foi a primeira e última multi-sedes, realizada em 11 cidades, ideia do ex-craque Michel Platini, enquanto presidente da União Europeia de Futebol, para comemorar os 60 anos do segundo torneio mais importante, depois da Copa do Mundo. Aleksander Ceferin, atual presidente, disse que a Eurocopa encerrada hoje (11) foi a melhor de todas, reunindo na final as duas melhores seleções.

CEREJA DO BOLO – O presidente da Uefa ressaltou que todas as cidades fizeram organização sem falha: “Foi uma Euro perfeita e terminou com a cereja do bolo, premiando Itália e Inglaterra com a decisão mais emcionante da história. No entanto, o formato não será repetido porque não é justo que algumas das seleções tenham que viajar mais de dez mil quilômetros e outras não cheguem a percorrer dois mil”.

ITALIANOS EM MANAUS – A grande colônia italiana radicada na capital amazonense assistiu e comemorou muito a conquista da seleção, recordando a alegria da noite do sábado, 14 de junho de 2014, quando a Itália estreou na fase de grupos da Copa do Mundo vencendo a Inglaterra por 2 x 1 na Arena da Amazônia, única sede do Norte na Copa. Claudio Marchisio fez o primeiro gol e Mario Balotelli o da vitória, após Sturridge empatar para os ingleses.

LIVRO PRECIOSO – No início da semana, tive o prazer de receber, com dedicatória de Simone Demasi Quadros, o livro Italianos em Manaus, escrito por seu pai, Luiz Geraldo Demasi, de uma das famílias italianas que mais contribuem para o desenvolvimento da cidade onde nasci e me criei, até vir para o Rio, aos 18 anos, em 1958. Luiz Geraldo Demasi soube dar sequência ao trabalho de seus pais, Maria Ângela e Domenico. A Alfaiataria Demasi é um dos marcos da história da nossa querida Manaus.

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