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O FUTEBOL ITALIANO perdeu nesta 2ª feira (22), aos 79 anos, o ponta Gigi Riva, canhoto de chute forte e certeiro, com 35 gols em 42 jogos pela seleção, vice-campeã do mundo de 1970, goleada por 4 x 1 pelo Brasil na final de 21 de junho, no estádio Azteca, da Cidade do México. Primeira das oito Copas que cobri.

UM DOS MAIS RESPEITADOS por todas as torcidas, na longa e vitoriosa história do futebol do país, Giga Riva só foi campeão italiano em 69-70, no único título em 103 anos do Cagliari (30/5/1920), seu único time em 13 anos de carreira, com 207 gols em 374 jogos, três vezes artilheiro da Série A, entre 1963 e 1976.

O PRESIDENTE DO CAGLIARI surpreendeu a Itália, ao recusar, após a Copa de 70, a proposta da Juventus, de dois milhões de dólares e a construção de um hospital na cidade, por Gigi Riva, resumindo: “Até hoje, só o atum nos deu fama. Com Gigi Riva, o Cagliari ganhou a admiração e o respeito de toda a Itália”.

GIGI RIVA entrou no Hall da Fama do futebol italiano em 2011, pela participação nas Copas de 70 e 74, e na Eurocopa de 1968, em que marcou o primeiro gol dos 2 x 0 na Iugoslávia, no Estádio Olímpico de Roma. Junto com ele, mais oito titulares da seleção que seria vice-campeã do mundo dois anos depois no México.

O INÍCIO DA VIDA de Luigi Riva, nascido na 3ª feira, 7 de novembro de 1944, em Leggiuno, pequena aldeia da Lombardia, foi dramático. Perdeu o pai aos 9 anos e a mãe aos 16, tendo que cuidar de duas irmãs mais novas. Uma, morreu de leucemia; outra, ficou paralítica, após gravíssimo desastre de automóvel.

ANTES DO PRIMEIRO contrato com o Cagliari, Giga Riva era amador do Laveno- Mombello, da província de Varese, na região da Lombardia, e tinha que suar muito para ganhar três dólares, se o time vencesse o jogo. Ele repetiu algumas vezes, ao superar muita dificuldade: “A vida é complicada, mas não se pode desistir nunca”.

GIGI RIVA, aos 25 anos, foi dos poucos da seleção vice-campeã do mundo de 70, a ter ânimo na final com o Brasil: Albertosi, Burgnich, Rosito, Cera e Facchetti (cap); Bertini (Juliano), Domenghini e De Sisti; Sandro Mazzola, Bonisegna (Gianni Rivera) e Giga Riva. O técnico Ferruccio Valcareggi resumiu: “Perdemos para uma seleção completa, invencível”.

O ATUAL TÉCNICO Fabio Cannavaro, de 50 anos, capitão campeão do mundo de 2006, com 136 jogos pela seleção e dos primeiros zagueiros a ganhar a Bola de Ouro, chorou ao falar emocionado sobre a morte do ex-companheiro: “Gigi Riva não jogava só com os pés e a cabeça. Jogava sempre muito mais com o coração”.

Fotos: UNO TV, getty e L Monello.