O MEIA PEDRINHO E MAIS 12 BRASILEIROS do Shahktar, líder do Campeonato da Ucrânia, estão desesperados, no meio do fogo cruzado e com o perigo cada vez mais perto, refugiados em um hotel no Centro da capital Kiev, ponto mais recente dos ataques das tropas da Rússia: “A comida, a água e o leite das crianças estão acabando. Não temos apoio de ninguém. O medo e o pânico nos apavoram”.

ANTES DE COMPLETAR UMA TEMPORADA no Benfica, que o comprou do Corinthians por 20 milhões de euros, o equivalente a R$92 milhões, em janeiro de 2020, Pedrinho foi vendido por 18 milhões de euros ao Shakhtar e ganhou pouco depois a Supercopa da Ucrânia. Em 18 rodadas, antes da invasão da Ucrânia, o Shakhtar liderava o campeonato com mais dois pontos (47 a 45) que o arquirrival Dínamo de Kiev.

PEDRO VÍTOR Delmino da Silva, o Pedrinho, meia canhoto de 23 anos, nasceu em Maceió, iniciou no CSA, passou pelo Vitória da Bahia e terminou a formação de base no Corinthians em 2017, quando se tornou profissional. Vice-campeão da Copa São Paulo e do Brasileiro sub-20 de 2016, em 2017 ganhou o título e o prêmio de melhor jogador da Copinha. Campeão brasileiro 2017 e tricampeão paulista 2017-18-19.

O MEIA ALLAN PATRICK, de 30 anos, formado no Santos e com passagens pelo Palmeiras e Flamengo, foi o único dos 13 brasileiros do Shakhtar que conseguiu deixar a Ucrânia. Operado de hérnia na última 3ª feira (22), em Frankfurt, na Alemanha, ele chegou nesta 6ª (25), a Santos, mostrando-se aliviado, mas ao mesmo tempo preocupado com o drama porque passam os companheiros de equipe.

ALLAN PATRICK FOI VENDIDO em 2011 pelo Santos ao Shakhtar, que o emprestou em 2015 ao Palmeiras, onde jogou pouco, devido às muitas contusões, e em 2016 ao Flamengo, time em que mais atuou, com 76 jogos e 15 gols, tendo bons desempenhos no Campeonato Brasileiro. Com a seleção sub-20, foi campeão sul-americano e campeão mundial em 2011.

EX-FLUMINENSE, o zagueiro e lateral paranaense Marlon, de 24 anos, chegou ao Shakhtar em junho de 2021, depois de atuar no Barcelona B, no francês Nice e no italiano Sassuolo. O desespero da família de Marlon no Brasil aumenta a cada minuto.

NA UCRÂNIA DESDE 2010, o atacante Junior Moraes, de 34 anos, revelado no Santos, foi o terceiro brasileiro a se naturalizar e mostra-se apreensivo pela possível convocação imediata do governo para fazer parte das tropas do Exército. Ele fez 11 jogos pela seleção, convocado pelo técnico Schevchenko, ex-atacante e melhor jogador ucraniano de todos os tempos. Priscila e as filhas de Junior Moraes estão em São Paulo.

CAMPEÃO BRASILEIRO em 2017 e bicampeão paulista 2017-18, o volante paulistano Maycon, de 24 anos, é do Shakhtar desde 2019 e ganhou dois campeonatos nacionais da Ucrânia como um dos destaques da equipe. CAMPEÃO SUL-AMERICANO sub-20, em 2019, o atacante gaúcho Tetê, de 22 anos, formado na base do Grêmio, e o atacante David Neres, de 24 anos, formado na base do São Paulo, são outros destaques da equipe.

FUTBOLNIY KLUB SHAKHTAR, no original em ucraniano, foi fundado no domingo, 24 de maio de 1936 com o nome da cidade de Donetsk, na região Sudeste do país, a 747 km da capital Kiev. Treze vezes campeão da Ucrânia, todas no século XXI, o Shakhtar decidiu trocar de sede em 2014, saindo de Donetsk para Kiev. Shakhtar significa Eremita, o que vive isolado, por penitência, religiosidade ou simples amor à natureza.

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