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RUBENS FRANCISCO MINELLI, primeiro técnico três vezes consecutivas campeão brasileiro, morreu aos 94 anos, nesta 5ª feira, 23 de novembro de 2023, na capital de São Paulo, onde nasceu na 4ª feira, 19 de dezembro de 1928. Minelli ganhou o quarto, dos onze títulos do Palmeiras, em 1969, com uma equipe em que brilhavam Dudu, Ademir da Guia, Leão e o artilheiro Cesar Lemos. Na final de 7 de dezembro, no Morumbi, 3 x 1 no Botafogo, onde já despontava Mario Zagallo.

RUBENS MINELLI moldou o Internacional, primeiro time da região Sul campeão brasileiro em 1975, só com três derrotas em 30 jogos, e o artilheiro Flavio, com 16 dos 24 gols do ataque mais positivo do campeonato com 975 gols em 430 jogos. O Inter venceu (1 x 0) o Cruzeiro de Piazza, Tostão, Dirceu Lopes, e foi bi em 76, com 2 x 0 no Corinthians, em tarde de 85 mil em delírio no Beira Rio, onde brilhavam Manga, Figueroa, Falcão, Carpegiani, Valdomiro, Dario e Lula.

O TERCEIRO TÍTULO brasileiro consecutivo de Minelli foi o primeiro do São Paulo, em 1977, com 3 x 2 nos pênaltis, após 0 x 0 em 120 minutos com o Atlético, diante de 105 mil torcedores no Mineirão, no domingo, 5 de março de 1978. Waldir Peres, Daryo Pereira, Mirandinha, Zé Sergio e o capitão Chicão eram destaques do tricolor paulista, enquanto João Leite, recordista de jogos com a camisa do Atlético, fazia milagres ao defender dois pênaltis.

RUBENS MINELLI sabia comandar, era tranquilo, seguro, falava pausado e tinha o mérito, que também vi muito em Tim, na campanha do Fluminense, campeão carioca de 1964, de não mexer na escalação do time, mas fazê-lo voltar com outra postura e, não raro, virar o jogo no 2º tempo. Minelli foi campeão paulista em 73 com a Portuguesa; tricampeão gaúcho 74-75-76 com o Internacional, e três vezes campeão gaúcho com o Grêmio, em 85, 88, 89.

UM DE SEUS MAIORES FEITOS foi o tetracampeonato paranaense, em 94-95-96-97, com o modesto Paraná Clube, que saiu da Série C para a Série B, em sua primeira temporada, em 1990. Dos primeiros contratados do mundo árabe, Minelli deixou a marca de um trabalho consistente no Al-Hilal, bicampeão saudita em 78-79 e campeão da Copa do Golfo em 90. Ao se retirar das quatro linhas, foi consultor técnico de alguns clubes e analista de primeira linha da Rádio Jovem Pan.

CAMPEÃO PAULISTA da 2ª divisão pelo Taubaté, em 1954, seu único título como ponta-esquerda, bom driblador e preciso nos cruzamentos, Rubens Minelli teve que encerrar a carreira aos 27 anos, em 1956, ao fraturar a perna esquerda, em amistoso do São Bento de Sorocaba com o União de Mogi das Cruzes. Estreou como técnico no domingo, 31 de março de 63, na vitória do América de Rio Preto sobre o XV de Jaú por 1 x 0, no estádio Mario Alves Mendonça.

PAULO CESAR CARPEGIANI, hoje aos 74 anos, foi um dos notáveis do bicampeonato brasileiro de 75-76, no meio-campo com Falcão e Caçapava, e recorda o ex-técnico: “Minelli foi um técnico que sabia orientar. Exigente e detalhista, cobrava que todos fizessem bem feito, e repetia sempre, para não haver dúvida do que queria. Penso que o Minelli só não teve o reconhecimento que deveria ter tido para ser técnico da seleção brasileira”.

BOM LEMBRAR: além de oito vezes campeão gaúcho e bicampeão brasileiro no Internacional, Carpegiani disputou 223 jogos pelo Flamengo, tricampeão carioca, e dirigiu o time na mais importante campanha da história de 128 anos do clube, quando comandou, em 1981, os campeões da Libertadores e do Mundial de clubes, à frente da incomparável geração de ouro de Zico, Junior, Leandro, Andrade, Adilio, Nunes e Tita. O melhor Flamengo de sempre.

QUE DEUS DÊ MUITA LUZ AO ESPÍRITO DE RUBENS MINELLI.

Fotos: Inter / Divulgação, Twitter do Grêmio e UOL