O River Plate está de luto com a morte de Amadeo Carrizo, o maior goleiro de sua história de 118 anos, ontem (20), em Buenos Aires, aos 93 anos, presidente de honra do clube e nome do setor preferencial do estádio Monumental de Nuñez. Aos 31 anos, em 7 de julho de 57, no Maracanã, Carrizo sofreu o primeiro gol de Pelé, estreando na seleção aos 16 anos, aos 32, três minutos após Labruna fazer 1 x 0, em jogo da Copa Roca (Argentina 2 x 1).

PIONEIRO – Amadeo Carrizo jogou 23 anos consecutivos e bateu o recorde de atuações (521) com a camisa do River,  ao se despedir aos 44 anos em 1970. Primeiro a jogar fora do gol e a fazer lançamentos longos com a mão, ganhou o apelido de Tarzan, pelas defesas acrobáticas. Pioneiro no uso de boné e de luvas, ganhou as primeiras de Giovanni Viola, goleiro da seleção italiana, em amistoso com o River, em 1954, no estádio de Turim.

LAMENTO – Carrizo foi duas vezes bicampeão argentino, em 52-53 e 55-56, depois do título de 47 e do último em 57, quando por sugestão de Di Stefano, com quem estreou no River, o presidente Santiago Bernabeu tentou levá-lo para o Real Madrid, mas o River não o liberou. Foi um dos lamentos de sua carreira, lembrando que teria sido o único goleiro argentino pentacampeão da Europa, com os títulos consecutivos que o Real ganhou de 55-56 a 59-60.

DIA DO GOLEIRO – Uma das grandes homenagens a Carrizo foi a criação, em decreto do governo, em votação unânime no Senado, do Dia Nacional do Goleiro Argentino, em 12 de junho, dia do seu aniversário, quando também recebeu o prêmio de melhor goleiro sul-americano do século 20. Carrizo era adepto de frases: “Se você tem pressa, dê um soco na bola; se não tem, segure firme porque a jogada acaba”.

A MÁQUINA – Carrizo dizia que a melhor fase do River foi de 52 a 57, com cinco títulos em seis anos. O time tinha Labruna e Di Stefano como destaques: “Os torcedores se empolgavam a cada jogo e acabaram criando um apelido: La Máquina”, sem saber que anos depois o Fluminense copiaria para exaltar o time bicampeão carioca de 75-76, com jogadores excepcionais, Rivellino à frente. Como diria Chacrinha: “Nada se cria, tudo se copia”.

TRISTEZA – Nenhuma tristeza se compara à de 58, quando a Argentina voltou da Copa de 58, eliminada pelos 6 x 1 que levou da então Tcheco-Eslováquia. Carrizo lembrava: “No aeroporto jogaram muita coisa, inclusive ovos, sobre nós. No dia seguinte, minha casa amanheceu pichada e arranharam meu carro. Nos jogos do campeonato, ouvíamos muitas vaias, menos nos do River. Foi uma perseguição que parecia não acabar”.

VEXAME – Carrizo estava no auge da forma quando o presidente Juan Peron proibiu a seleção argentina de participar das Copas de 50 no Brasil e de 54 na Suíça, mas não deixou de dar certa razão a ele: “Peron não queria por ter medo de um vexame do nosso futebol, já que nossos melhores jogadores estavam na Europa. Pelo que houve em 58, quando voltamos a um Mundial e fomos eliminados com uma goleada, ele estava mesmo com razão”.