Bom iniciar maio com os parabéns a Carlos Roberto, que completa 73 anos hoje (1), mesmo dia da semana (sábado) em que em nasceu e no mesmo ano (1948) em que seu ídolo Nilton Santos era campeão carioca pela primeira vez: “Nilton foi uma figura rara, não só pela técnica, mas pela simplicidade com quem jogava e tratava as pessoas” – diz Carlos Roberto, lembrando que viu o Botafogo ser bicampeão em 61-62, sem de longe imaginar que sete anos depois estaria em campo para ser bi também.

INFLUÊNCIA – Bicampeão carioca em 67/68, quando formou o meio-campo com Gerson, Carlos Roberto diz que Zagalo teve muita influência em sua vida profissional: “Foram também os primeiros títulos do Zé (como os jogadores tratavam o técnico), e aprendi bem as lições com ele, que soube aplicar tudo o que aprendeu jogando e também com os técnicos que teve”. Carlos Roberto faz questão de ressaltar: “Sempre ouvia que técnico mudava o jogo no intervalo, e vi a verdade de perto”. 

AS DECISÕES – Peça importante no esquema de Zagallo, Carlos Roberto esteve entre os melhores da final de 67, em que o Botafogo venceu o Bangu, campeão de 66, por 2 x 1, gols de Roberto e Gerson, de falta, com 111.641 pagantes, apesar da tarde chuvosa no Maracanã, a uma semana do Natal. O “baixinho”, como era tratado, por ter 1,68m, anulou Del Vecchio, atacante forte e experiente aos 34 anos, que brilhou no Santos, Milan e Boca, que o Bangu contratou para tentar ser bicampeão.

Carlos Roberto, Deni Menezes, Jairzinho, Marcelo Santos e Moreira, no salão de troféus do Botafogo, com as taças do bicampeonato carioca 67-68. / Foto Marcelo Santos / Blog do Deni Menezes

MUITO FÁCIL – No bi do Botafogo, em 68, a final com o Vasco foi muito fácil, recorda Carlos Roberto: “Fizemos 2 x 0 com Roberto e Rogerio, e no segundo tempo, 4 x 0 com Jairzinho e Gerson, e não faltou o olé, que a torcida sempre pedia (141.689 pagantes, mesmo com chuva, no domingo, 9 de junho). Bom lembrar: em 67 e 68, 15 vitórias, 2 empates, 1 derrota, e o Botafogo só perdeu no turno para o Vasco, por coincidência, por 2 x 0: em 67, gols de Valfrido, e em 68, gols de Buglê e Nei.

SÉTIMO – Ao lado de ídolos e de companheiros, Carlos Roberto diz que se sente feliz e honrado por estar no grupo seleto dos 10 que mais vestiram a camisa do Botafogo. Depois de Nilton Santos (723 jogos), Garrincha (612), Jefferson (459), Valtencir (453), Quarentinha (444), Manga (442), ele é o sétimo, com 440 jogos: “Mais que um privilégio, uma honra” – diz Carlos Roberto, seguido de Geninho (425), e do concunhado Jairzinho e do goleiro Wagner, que completam a lista com 412 jogos.

SELEFOGO – Carlos Roberto ganhou de goleada os dois amistosos pela seleção: 4 x 0 no Peru, em Lima, em 17/7/68, quando o técnico Aymoré Moreira o colocou no lugar de Tostão, e nos 4 x 1 na Argentina, no Maracanã, em 7/8/68, na estreia de Zagallo, que escalou a base do Botafogo: Felix, Moreira (Murilo), Brito, Leônidas e Valtencir; Carlos Roberto e Gerson; Nado, Roberto (Nei), Jairzinho e Paulo Cesar. Ele recorda: “Demos um show de bola e os argentinos ficaram perdidos”.

INESQUECÍVEL – Carlos Roberto diz que a goleada na Argentina, dois meses após o bicampeonato carioca foi o jogo inesquecível: “Fizemos 2 x 0 com Valtencir e Roberto, e no segundo tempo, Jairzinho e Paulo Cesar. Demos um chocolate, com 48 trocas de passes, conforme a estatistica, sem que os argentinos tocassem na bola, antes do Paulo fazer o quarto gol, e a torcida (48 mil pagantes) em delírio gritando olé. No dia seguinte, no Jornal dos Sports:  Selefogo dá show e enlouquece o Maracanã”. 

IGUAL AO MESTRE – Carlos Roberto de Carvalho foi o segundo da história do Botafogo, campeão como jogador e técnico, depois de seu mestre Zagallo, ao dirigir o time que ganhou o título de 2006, vencendo o América na final da Taça Guanabara (3 x 1), e o Madureira na final do Campeonato Carioca (3 x 1), depois de oito anos: Lopes, Ruy, Rafael Marques, Scheidt e Bill (Jr.Cesar); Tiago (Ataliba), Diguinho, Joilson (Gualber) e Zé Roberto; Reinaldo e Dodô, artilheiro que o Botafogo não tinha há 38 anos.

Foto: Terceiro Tempo | Tardes de Pacaembu | Lance! |