O Botafogo está de luto, com a bandeira alvinegra a meio pau na sede de General Severiano, e respeitará um minuto de silêncio na próxima segunda (19), antes do último jogo da rodada 17 com o Goiás, no estádio Nilton Santos, pela memória do argentino Rodolfo Fischer, estrangeiro que mais vestiu sua camisa, com 68 gols em 184 jogos, entre 1972 e 1976. Fischer fez dois gols dos 6 x 0 no Flamengo, maior goleada do Campeonato Brasileiro de 72, no dia dos 77 anos de fundação do Flamengo.

LEMBRANÇA – A foto do time dos 6 x 0, na tarde nublada da quarta-feira, 15 de novembro de 72, no Maracanã, está ao lado da foto do time do San Lorenzo, em que Fischer foi artilheiro e campeão argentino em 68, na casa onde nasceu, na pequena Oberá, cidade de 50 mil habitantes, cercada por muita vegetação, na província de Misiones, a 96 km da capital Buenos Aires. “Es un dulce recuerdo de mi vida en las canchas”, resumiu Fischer, ao se lembrar de uma de suas maiores vitórias na carreira.

NOS 6 x 0 de 15 de novembro de 72, diante de 50 mil torcedores, Fischer usou a cabeça, aos 35 e aos 41 do primeiro tempo, para marcar seus gols, após Jairzinho fazer 1 x 0 aos 15. Na volta do intervalo, Jairzinho 4 x 0 aos 23 e 5 x 0, de letra, aos 38. Cinco minutos após substituir Fischer, que saiu sob delírio alvinegro, Ferreti – hoje técnico no México – fez 6 x 0 aos 42. Nos jogos seguintes com o Flamengo, a torcida estendia uma grande faixa na arquibancada do Maracanã: Nós gostamos de Vo6.

BOM LEMBRAR – Cao, Mauro, Valtencir, Osmar e Marinho; Carlos Roberto e Nei; Zequinha, Fischer (Ferreti), Jairzinho e Ademir (Marco Aurélio) – o time dos 6 x 0, do técnico Sebastião Leônidas, zagueiro do bi carioca 67-68, dirigido por Zagalo, técnico do Flamengo nos 6 x 0: Renato, Moreira, Chiquinho, Tinho e Rodrigues Neto; Liminha e Zanata (Mineiro); Rogerio (Caio), Fio, Humberto Redes e Paulo Cesar.  Bom dizer: dos seis gols, quatro em cruzamentos de Zequinha, bom ponta-direita.

RECORDISTA – Rodolfo José Fischer, estrangeiro com mais jogos (184) pelo Botafogo, superou o recente zagueiro Joel Carli, também argentino, que fez 160 jogos, entre 2016 e 2020. O atacante carioca Dino da Costa, o segundo, com 176 jogos. Em 55, após excursão do Botafogo à Europa, foi artilheiro do campeonato italiano 56-57, com 22 gols pela Roma, naturalizou-se, e hoje, aos 89 anos, continua vivendo na Itália. Na mesma excursão, o ponta Vinícius foi vendido ao Napoli. Era muito fácil: Garrincha driblava três, quatro, cruzava e eles faziam gol.

VITÓRIA foi o outro time brasileiro de Rodolfo Fischer, também ídolo dos rubro-negros baianos, mesmo em uma única temporada, em que marcou 33 gols em 88 jogos, em 1976. Muito simpático, mas de poucas palavras, Fischer voltou ao San Lorenzo em 77-78, completando 174 gols em 316 jogos, somados aos que havia feito entre 65 e 72, quando saiu campeão para o Botafogo. Na seleção argentina, marcou 12 gols em 35 jogos, e encerrou a carreira no Sportivo Belgrano, em 1981.

GOL QUE NÃO FEZ – A maior tristeza de Fischer, em campo, foi no 0 x 0 com o Palmeiras, no Morumbi, na decisão do Campeonato Brasileiro, na antevéspera do Natal de 1972. O Palmeiras tinha a vantagem do empate, e aos 36 do segundo tempo, cara a cara com o goleiro Emerson Leão, Fischer mandou a bola na trave. Que Deus, único todo-poderoso, onipotente, com poder ilimitado, do alto da sua infinita bondade, dê muita luz ao espírito de Rodolfo José Fischer. Descanse em paz.

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